sábado, 20 de Setembro de 2014

INOVAR EM PORTUGAL?

A crise atual é de âmbito europeu e internacional. Hoje, o endividamento resulta, em grande medida, do importante investimento realizado que cria condições para construir o futuro. Durante três décadas, o país investiu intensivamente na formação dos seus recursos humanos e na modernização das infraestruturas, criando condições para lançar um novo modelo de desenvolvimento. Este processo de modernização teve erros, insuficiências e limitações, criou novos problemas, e, ao mesmo tempo, criou novos meios e externalidades, desenvolvendo novas capacidades, que nos permitem agora abordar com uma melhor perspetiva os problemas da competitividade. Também criou uma dívida que não é solúvel nos prazos previstos. Necessitamos de quebrar o "garrote" que nos impede de tirar partido por três décadas de investimento . Como? colocar em evidência o potencial de crescimento existente, depois de uma década de quase estagnação e um contributo para a incontornável negociação de um programa de pagamento a cinquenta anos, e juros baixos que permitam a paragem da saída dos recursos humanos qualificados. O atraso, a intensidade no investimento e as opções tomadas na política de formação dos recursos humanos, agravam o dualismo da sociedade e da economia portuguesas. Desenvolvemos capacidades, no setor mais moderno, que permitam minorar o dualismo e desenvolver os setores tradicionais com recursos humanos menos qualificados. Construímos um sistema científico e tecnológico moderno com uma dimensão relevante, rejuvenescido e fortemente internacionalizado. Emergiu um novo tecido económico, com PME"S e algumas grandes empresas de base tecnológica que procuram a difusão de novas tecnologias e a criação de novos produtos. Novas tendências tecnológicas incorporadas pela I&D  em curso nas empresas permitem -nos encarar o desafio de construir um novo modelo de desenvolvimento que transforme o investimento em soluções inovadoras com impacto social, reforçando a qualidade de vida como motor de atração do investimento qualificado. Peveem -se  para os próximos anos mudanças importantes no enquadramento geoeconómico, abrindo -se a possibilidade de colocarmos Portugal nas correntes mais dinâmicas do comércio mundial. As melhorias conseguidas internamente,com a modernização das infra -estruturas, na formação dos recursos humanos e na capacidade de um sistema científico e tecnológico, colocam -nos numa melhor posição para tirar partido dessas mudanças geoeconómicas, para alterar o perfil da especialização e para atrair o investimento e o desenvolvimento da economia.
Será Portugal uma sociedade dual? Sim.  O dualismo derivado da formação desigual dos recursos humanos, afeta diferentes gerações, quer de trabalhadores, quer de  empresários. O dualismo na formação de empresários gestores tende a autoreproduzir -se, criando uma estratificação por épocas de criação das próprias empresas.. Exceto nos setores de criação mais modernos, as empresas mais antigas, tendem a manter recursos humanos com menos nível de formação e isso reflete -se na sua performance económica. O dualismo no grau de formação da população portuguesa condiciona, profundamente o funcionamento da sociedade e da economia e limita a eficácia de modernização  e reforço da competitividade.
Será que cresceu a inovação com a redução dos custos?
O impacto da inovação na economia era limitado pelas estratégias empresariais dominantes das próprias empresas inovadoras, ainda centradas na redução dos custos e não na diferenciação dos produtos e diversificação dos mercados. Os "efeitos da inovação" que os empresários portugueses consideram mais importantes nas suas empresas, situavam -se na inovação orientada para o processo, focando com particular relevância a redução dos custos com energia, materiais e trabalho.
As vantagens da integração no mercado europeu rapidamente foram anuladas pela nossa incapacidade de tirar partido da globalização, da qual só sofremos os efeitos negativos, do ponto de vista, do aparelho produtivo, já que, na perspetiva dos consumidores, reforçou o efeito da integração no euro ficando as importações mais baratas. Portugal vira -se completamente para a Europa, onde se situa numa posição cada vez mais periférica. Estão em curso mudanças no enquadramento geoeconómico do país ,que nos podem ser favoráveis, reposicionando -nos de uma posição periférica no mapa europeu para um lugar mais central no mapa global. A intensificação do comércio mundial, levou a alterações importantes na tecnologia dos transportes marítimos e, nas rotas internacionais, nomeadamente com a próxima entrada em funcionamento do canal do Panamá alargado. Anos sucessivos de saldos favoráveis das balanças externas tornam possível o crescimento significativo dos mercados externos, com a emergência de um novo grupo de investidores internacionais. É  certo que a melhoria da competitividade dos transportes internacionais, vem possibilitar que o território nacional seja mais competitivo, na captação do investimento industrial. Nas próximas décadas, o desenvolvimento destes serviços de transporte pode favorecer uma nova dinâmica de industrialização. Se conseguirmos articular esse desenvolvimento com o aproveitamento dos avanços em curso, na capacidade tecnológica nacional, teremos uma oportunidade de acelerar a mudança da nossa estrutura de especialização para setores de maior valor acrescentado e dinamismo do processo mundial. Estando nós, dentro de um enorme mercado sem fronteiras internas e beneficiando do acesso a canais de distribuição, temos vantagem em proceder à integração de produtos com componentes importados e outros fabricados na proximidade, nomeadamente, os que utilizam as ferramentas de produção industrial onde somos competitivos.Portugal, que já explora atualmente "vantagens de proximidade" no mercado único europeu, face a concorrentes longínquos e fora de fronteiras verá essa vantagem reforçada. Os desenvolvimentos tecnológicos irão permitir a intensificação de investimentos nas empresas renováveis, com um maior conteúdo tecnológico e industrial nacional, criando condições, não só para diminuir a dependência energética, mas também para a emergência de novas exportações de elevado valor. Um país como o nosso, que tem uma indústria de bens de consumo duradouros pouco desenvolvida, terá no novo modelo de consumo uma nova oportunidade de desenvolvimento, inovando pela diferenciação. Constata -se que a qualidade do modelo de consumo pode ajudar a desenvolver um modelo de especialização internacionalmente competitivo.
A política de captação de IDE  deve ser reforçada tendo por objetivos:
- dar prioridade à captação de investimentos de menor dimensão, mas de elevada intensidade tecnológica que reforcem as externalidades  já oferecidas pelo tecido nacional de empresas de meios de produção;
- adoptar políticas fiscais que reforcem a capacidade das nossas empresas;
- rever a política de apoio à internacionalização que deve ser avaliada nas exportações de bens e serviços a partir do território nacional.

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

A QUEDA DEMOGRÁFICA: CONSEQUÊNCIAS

A maioria das economias desenvolvidas cresceu o suficiente para permitir à maior parte das pessoas melhorar as suas condições de vida. O fator central da questão demográfica, especialmente para os países desenvolvidos é saber quão rapidamente a força de trabalho se irá expandir ou se chegará mesmo a crescer. Em tempos normais, a força da mão-de-obra da maior parte das pessoas expandiu -se regularmente; por isso todos os anos há mais pessoas a trabalhar para produzir os bens e serviços do país. Contudo, um país pode desperdiçar o potencial crescimento extra de uma força de trabalho em rápida expansão, se não formar os novos trabalhadores ou se não der as condições e os incentivos que podem aumentar a sua produtividade média. Quando a força de trabalho de um país está em contração, a economia funciona com uma desvantagem significativa, e fazer investimentos mais elevados na educação, formação, nas tecnologias e nos métodos comerciais, que podem aumentar a produtividade, torna -se praticamente a única forma de sustentar um crescimento profundo. A posição do Japão entre os dias de hoje e 2020 é a mais assustadora. Por volta de 2020, o Japão terá quase nove milhões a menos de pessoas, com idades compreendidas entre os 20 e os 60 anos, uma contração de quase um por cento ao ano do número de pessoas disponíveis para criar a maior riqueza da nação. Ora dado que, a velocidade com que um país cresce é basicamente o produto da quantidade de novos trabalhadores que adiciona, e da velocidade com que a produtividade dos trabalhadores aumenta, os aumentos normais da produtividade de 1,5 a 2,5 por cento ao ano durante a próxima década, deixarão o Japão à beira da recessão. Também o número de italianos e franceses irá cair entre hoje e 2020. O lado positivo para a Alemanha, França e Itália é o fato de haver a possibilidade das taxas de desemprego elevadas descerem na próxima década. Mas mesmo com o desemprego mais baixo e o crescimento mais lento, haverá menos crescimento económico para a Europa, nos próximos dez a quinze anos. Esta situação explica -se pelo fato de as pessoas em idade ativa serem responsáveis pela maior parte das poupanças pessoais de todos os países e da quantidade das poupanças de uma nação afetar os recursos financeiros que um país tem para investir. As pessoas mais novas gastam mais do que aquilo que ganham; os reformados gastam aquilo que poupam para poderem conservar a saúde, o estilo de vida, apesar de ganharem muito pouco. Em todos os países, as pessoas que se encontram nos anos de auge salarial, entre os 30 e os 50 anos de idade são as que fazem mais poupanças na sociedade. Ao longo dos próximos quinze anos, com dezenas de milhões de europeus a entrar na reforma e com menos pessoas novas na vida ativa, os países terão menos recursos para expandir a sua riqueza.
Entre os dias de hoje e 2020, as taxas de poupança pessoal irão cair na maioria dos países, à medida que a percentagem das populações composta por pessoas mais velhas aumentar e a quota da população composta por pessoas na casa dos 30 e 40 anos diminui. Em muitos dos países mais ricos do mundo, a vida da maioria das pessoas não oferece melhorias. As acentuadas quedas das taxas de natalidade criam um aperto económico, ao qual grande parte da Europa e do Japão não conseguem escapar, durante pelo menos uma geração. Por outro lado, os encargos económicos dos sistemas de segurança social são incompatíveis com um crescimento económico saudável. Também , os impostos que financiam as pensões estatais da maioria dos países, o IVA e, frequentemente uma  parte dos impostos sobre os rendimentos, assim como os impostos sobre os salários aumentaram significativamente em todos os países. Perante tal situação, as pessoas em quase todo o lado, já disseram "Basta".
De fato, a vontade de investir das empresas, a disponibilidade das pessoas para trabalhar mais tempo e a capacidade das empresas a crescer, começa a regredir a um ritmo significativo. De uma forma ou de outra as alterações demográficas irão ter impacto na vida das pessoas em todo o mundo: no valor do crescimento das economias nacionais, nos rendimentos familiares e no valor máximo que os impostos podem atingir.

segunda-feira, 9 de Junho de 2014

OS PROBLEMAS ECONÓMICOS DA EUROPA

Os problemas económicos da Europa começam com os respetivos Estados - Providência. Por exemplo, na Alemanha, em França e na Itália, as taxas de desemprego foram 50 e 100 por cento mais elevadas durante quase duas décadas. A quota de europeus que podiam trabalhar e trabalham ou querem realmente trabalhar é menor, devido a alguns programas de proteção de trabalhadores que esgotam os potenciais postos de trabalho.No entanto, o maior fator é a cultura, visto que muitas das diferenças resultam do número de mulheres que trabalham ou que estão à procura de emprego. Assim, quase 60 por cento das norte - americanas pertencem à mão-de-obra do seu país, bem como as inglesas; mas metade das francesas, alemãs ou italianas em idade ativa trabalha ou diz que quer trabalhar.Ora, para as economias que criam muito do seu valor ao aplicarem o capital humano e tecnológico e ao desencorajar tacitamente as mulheres de trabalhar dão origem a erros muito dispendiosos.Se estas atitudes persistirem, o crescimento europeu, poderá vir a ser negativo, nos anos vindouros, à medida que a globalização for deixando as economias avançadas com poucas possibilidades de impulsionar o crescimento. Por outro lado, a quantidade e a qualidade dos trabalhadores que realmente teem emprego, são igualmente importantes. Também aqui, as principais economias da Europa, funcionam de maneira diferente.Em primeiro lugar, o trabalhador médio alemão, francês, italiano ou britânico, trabalha menos horas do que os americanos,japoneses ou sul-coreanos.O cerne do problema económico ,que a Europa enfrenta, reside na orientação básica de grande parte das empresas, das políticas económicas e da cultura empresarial europeia, a qual entra em conflito com o papel que a globalização oferece às economias avançadas. A função das economias em desenvolvimento é evidente: muitas delas tornaram -se sérias plataformas de produção e de montagem de todos os bens do comércio global que podem ser uniformizados, desde as t-shirts e as tampas de plástico, até aos computadores e automóveis. Esta situação é, simplesmente, o resultado de todo o capital, tecnologias, gestores e por fim, de todas as organizações de negócios modernas, que as empresas globais transferiram para o mundo em desenvolvimento, durante as últimas décadas.
A investigação demonstra que a capacidade que uma sociedade tem para adotar e adaptar rapidamente e amplamente, as inovações desenvolvidas por outros é, importante a nível económico. A globalização exige que as empresas nas economias avançadas, sejam capazes de utilizar os métodos de gestão, as tecnologias de informação e os instrumentos baseados na internet, disponíveis e mais sofisticados, para que possam construir e gerir as redes globais que ligam tudo.Contudo, as principais economias da Europa não são verdadeiramente globais. A vasta maioria do comércio e do investimento ainda se encontra nos Estados Unidos. O custo para a Europa de ignorar, em grande medida, o mundo em desenvolvimento, assenta não só, em negar aos consumidores alemãs, franceses e britânicos o acesso de muitas das fontes mais baratas do mundo de produtos - padrão, como também em negar às respetivas empresas o acesso aos materiais e aos bens intermédios, com os preços mais baixos. Igualmente importante, é o fato de estes países estarem a fechar -se aos mercados de crescimento mais rápido do mundo, numa altura em que as empresas e as pessoas de muitos países em desenvolvimento são capazes de comprar aquilo que os países mais avançados produzem. A preocupação económica da Europa é ainda mais profunda no que se refere aos locais onde as empresas europeias instalam as empresas estrangeiras ou onde se situa o investimento direto estrangeiro.Se as empresas de países fora da Europa, obtiverem produtos a preços muito baixos e aprenderem a  produzir e vender com  custos de produção elevados, a Europa cresce mais lentamente e desenvolve -se com rendimentos mais baixos.

sexta-feira, 6 de Junho de 2014

AS NOVAS TECNOLOGIAS

O  que podemos esperar nos próximos dez ou quinze anos com os avanços das novas tecnologias?
Reforçar o crescimento e o desenvolvimento a nível mundial e, possivelmente, ajudar a resolver as crises energéticas, ambientais e cuidados de saúde com que muitos países se irão confrontar em breve.
As inovações tecnológicas que mudam a forma como milhões de pessoas vivem e trabalham não são regulares nem raras. Existem sérias razões para acreditar que o ritmo geral das inovações tecnológicas tem vindo a aumentar nos próximos dez a quinze anos.Uma razão é o fato de atualmente, os cientistas e investigadores, poderem aproveitar o enorme poder das novas tecnologias de informação para os respetivos campos de estudo. Outro fator é o fato de, pela primeira vez na história da ciência, o progresso tecnológico ser verdadeiramente global. A globalização tem outro efeito no ritmo do progresso tecnológico: ao permitir que as sociedades se tornem mais prósperas, o mercado expande -se para um software mais potente. Ora um mercado potencial maior, aumenta a rendibilidade do desenvolvimento de inovações, o que aumenta os recursos dedicados ao desenvolvimento  e, em última análise, o número de novas tecnologias que chegam aos escritórios, às fábricas e aos lares. Por isso não é de surpreender que a maior economia do mundo, se tenha tornado " o viveiro mundial da inovação". Muitas das novas tecnologias da informação, parecem estar concentradas na mobilidade  aumentada e nas tendências que podem difundir a Internet e as tecnologias de comunicação, acelerando o seu crescimento e a globalização. Se a tecnologia e a economia se desenvolverem, por volta de 2015 e 2020, os dias de trabalho de dezenas de milhares de pessoas serão muito diferentes dos dias de hoje. As poupanças de tantas pessoas a trabalhar a tempo inteiro, a partir de casa ou a partir de centros -satélite, podem ajudar a aumentar os lucros, o investimento e o crescimento. No entanto, as maiores mudanças esperadas pela maior parte dos especialistas em tecnologias da informação, para a próxima década, envolvem aumentos contínuos do hardware e do software.As tendências nas tecnologias de informação podem impulsionar outra explosão de crescimento e desenvolvimento na próxima década - especialmente em locais que acolhem as empresas estrangeiras para construir as redes e proporcionar o hardware e o software, investindo na educação para sem utilizadas novas tecnologias.
Por todo o mundo, a globalização irá mudar a vida das pessoas. Á medida que a globalização se afirmar nos últimos anos, a produção mundial cresce mais rapidamente do que durante qualquer período. Durante a próxima década, o imperativo económico para a maioria das nações irá ser, abrir a economia às ambições das populações e às capacidades dos outros.
Os países que irão vencer na próxima década, serão aqueles que abrirão os mercados tanto quanto possível às ideias e aos impulsos dos seus empresários, a investimentos e operações das empresas estrangeiras e bens e serviços produzidos através das redes globais. Seguir este caminho ou não, é a melhor forma que o mundo tem nesta altura para gerar crescimento e riqueza. Os países avançados mais prósperos durante a próxima década, serão aqueles que se concentram com mais sucesso, naquilo que as economias avançadas fazem melhor - criar, adotar, e adaptar -se às novas tecnologias e processos de produção importantes, às novas formas de financiar, comercializar, organizar e gerir.
No entanto, atualmente, a invasão das nossas vidas pelas tecnologias está a criar uma situação paradoxal. Somos inundados constantemente por uma cascata de informação, dados, notícias, rumores, mensagens ou pedidos que nos fazem gastar mais tempo on -line do que queremos. Entrar nas redes sociais para comunicar e partilhar mil e uma coisas com amigos, familiares e conhecidos, ou receber chamadas e mensagens sem fim, sobra pouco tempo para as tarefas e conversas mais serenas, mais focadas neste ou naquele assunto e mais concentradas.

quinta-feira, 1 de Maio de 2014

OS NOVOS PAÍSES EMERGENTES

Como cresce uma nação?A questão passa por permitir o fluxo livre de bens , capitais e pessoas, encorajar a poupança, garantir que os bancos canalizem as verbas para investimentos produtivos, impor o Estado de Direito, estabilizar a economia com défices públicos, estabilizar a inflação e abrir as portas ao capital estrangeiro. Os novos países emergentes enfrentam uma realidade: com a redução do crescimento dos países ricos, estes vão comprar menos a economias dedicadas à exportação, como o México, Taiwan e Malásia. Por isso estes mercados terão uma nova forma de crescer a um ritmo acelerado. Muitos analistas e investidores acreditavam correctamente na mudança de riqueza do Ocidente para o Oriente e no fato dos rendimentos médios das nações emergentes se igualarem aos das nações ricas.Malásia, Singapura, Coreia do Sul , Taiwan Tailândia e Hong- Kong, mantiveram um ritmo de crescimento significativo durante as últimas décadas.Os trabalhadores destes países dispõem de educação e de competências necessárias para serem empregáveis, desde que os governos lhes proporcionem empregos lucrativos. Nas primeiras fases de desenvolvimento, os novos países emergentes podem reduzir a diferença de rendimentos em relação às nações ricas com relativa facilidade, adotando ou copiando a tecnologia e as ferramentas de gestão das nações desenvolvidas. Todavia, a partir de um determinado ponto, as nações emergentes já adotaram tudo o que era possível e teem de começar a inovar por si mesmas.Também a  Coreia do Sul é um dos principais países onde as empresas teem uma vasta seleção de indústrias, desde os automóveis aos químicos, sendo muito abertas aos que veem de fora.Coreia do Sul e Taiwan são os medalhas de ouro da corrida económica global e as duas nações na história económica a conseguirem décadas consecutivas de crescimento.Ambas as nações investem bastante em investigação e desenvolvimento.Coreia do Sul cresceu desde a Segunda Guerra Mundial, fabricando produtos de preços baixos para vender às nações ricas, tornando -se  um grande mercado em aço, petroquímicos e construção naval.A Coreia do Sul tornou -se uma nação de tal forma rica que é denominada a "Alemanha da Ásia". Criou marcas genuinamente globais edificadas sobre a produção de bens tecnológicos, lideradas por três dos seus gigantes originais: Samsung, Hyunday e LG. E Taiwan? Taiwan assumiu contratos para trabalhos de produção, muitas vezes servindo -se dos laços culturais partilhados e da proximidade da vasta mão-de-obra chinesa, produzindo um crescimento rápido constante. Durante anos estes dois países correram o rico de invasão- motivo mais do que suficiente para manterem a busca pelo poderio económico militar. No futuro o êxito da Coreia do Sul tem sido a capacidade de sair da sombra do Japão, enquanto potência de produção, sendo considerada a sétima economia do mundo. Quais as nações em ascensão na próxima década?As nações com mais probabilidades de ultrapassar o ritmo esperado de 3 por cento, são a República Checa - o porto de abrigo do caos europeu - e a Coreia do Sul - o"rompe- bloqueios"produtor. A Turquia e a Polónia mostram um grande potencial por se sentirem nações de crescimento rápido. Todavia, o gigante chinês excede o ritmo máximo de crescimento de todas as economias.

sexta-feira, 4 de Abril de 2014

A ECONOMIA PORTUGUESA NO MUNDO GLOBAL

A Economia Portuguesa enfrentou um conjunto de problemas desde 2010. Entre eles é de referir, o da perda de competitividade nas produções em setores tradicionais que continuassem a assentar no trabalho manual pouco qualificado, face à tendência dos países industrializados se abastecerem de bens de consumo corrente de massa e banalizados aos menores custos.Tudo isto, por não se assistir a uma deslocação dos fatores de competitividade setorial para a qualificação/criatividade dos recursos humanos, a acumulação de capital e a organização de redes de fornecedores e de distribuição. Ao mesmo tempo, o país enfrentava  uma forte concorrência pela captação do investimento internacional, na área da indústria e dos serviços, exigindo estratégias mais estruturadas para atrair clusters de investimentos que mutuamente se articulavam com a estrutura produtiva existente. Como fatores de atratividade, são de salientar a capacidade de controlo sobre finanças públicas e de redução de inflação, a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento das empresas, a qualidade dos recursos humanos, a disponibilidade de infra -estruturas internacionais, a posição geográfica do País e a qualidade de vida urbana. Houve também dificuldades em aumentar as exportações de bens e serviços para enfrentar um possível aumento significativo do preço do petróleo e do gás, criando problemas na balança de pagamentos.
Todavia, considerou -se que todas as possíveis evoluções da economia global, criaram oportunidades a um país como Portugal, como por exemplo:
- A criação de redes mundiais de abastecimento por parte dos grandes operadores internacionais e de serviços, tornando possível às empresas portuguesas, com domínio de modernas tecnologias produtivas e capacidade de inovação, competir com fornecedores integradas nessas redes com capacidade de ascender a funções de maior complexidade e valorização;
- A forte dinâmica de uma multiplicidade de serviços internacionais, com graus diferentes de exigência, quanto às qualificações e de infra - estruturas internacionais, assegurando ritmos de crescimento e de criação de emprego sustentados;
- A localização do país numa posição central na bacia do Atlântico, constitui uma vantagem para os operadores industriais que queiram simultaneamente aceder, de um mesmo ponto, aos mercados da Europa, quer para certo tipo de componentes, quer para produtos finais.
É de salientar que o modo como a União Europeia se encontrava estruturada e as evoluções previsíveis, apontavam igualmente para para um conjunto de fatores susceptíveis de serem utilizados por Portugal para acelerar o seu crescimento e alcançar um melhor posicionamento no espaço da União Europeia.
Tais fatores são:
1 - O acesso a um grande mercado, suportado por infra -estruturas de transportes e comunicações modernas, onde surgiram novas oportunidades industriais portuguesas, na base de fatores de competitividade, relativamente aos nossos concorrentes extra - europeus(graças à flexibilidade e rapidez dos processos comerciais  decorrentes da ausência de  fronteiras).
2 - As potencialidades de crescimento oferecidas por um conjunto de serviços destinados aos mercados europeus, desde o turismo, aos serviços de saúde, até aos serviços de back-office ou de formação - constituem oportunidades para Portugal compensar algumas dificuldades que enfrente na criação de empregos na área industrial;
3 - A possibilidade de obtenção de financiamentos externos dirigidos à melhoria das condições de infra - estruturas que permitam a Portugal participar nas redes de logística global.
Numa pequena economia aberta, como a portuguesa, a obtenção de taxas de crescimento que permitam reduzir o atual desnível em relação aos parceiros da União Europeia, explorando a dinâmica da globalização, depende da melhoria da competitividade global da economia, traduzida numa evolução da estrutura produtiva e da especialização internacional que permita atingir dois objetivos:
- Aumentar as quotas de mercado em produtos(bens e serviços) e em destinos geográficos que revelem taxas de crescimento superiores à média da economia europeia;
- Evoluir com êxito para segmentos mais dinâmicos e de maior valor acrescentado, nos mercados em que a economia portuguesa está atualmente mais presente.
Todo o conjunto de transformações da estrutura produtiva não poderá reduzir -se a escolhas simples, deverá ser pensado um conjunto de combinações no quadro de cenários alternativos da estrutura produtiva e da especialização internacional, por:
- Um papel central desempenado pelos setores têxtil/vestuário e calçado, com estratégias de competitividade centradas na melhoria da qualidade e da inovação dos produtos e na modernização dos processos produtivos, contribuindo para a mudança de imagem do país, como produtor de bens mais elaborados. Nesta estratégia, inclui -se a criação de marcas próprias a comercializar na Europa,mantendo -se o papel preponderante de distribuição de controlo externo.
- Um crescimento do turismo, com uma mais forte presença no mercado espanhol, especialmente junto das camadas médias e da gama mais baixa do mercado europeu, assegurando elevadas taxas de ocupação.
-Um desenvolvimento de atividades de clusters como ourivesaria, produtos de alta qualidade e pela alteração na fileira pasta/papel de um segmento de fibras celulósicas .
Portugal na sua abertura ao exterior definiu -se como periferia europeia de baixos salários e mão - de - obra barata sem grande qualificação, orientada para a produção industrial de bens de consumo de massa, para o aproveitamento de matérias - primas florestais e como destino turístico de sol e praia. Ora a globalização veio retirar funções às periferias de baixos salários de cada uma das regiões mais desenvolvidas do mundo, transferindo essas funções para a China, tornando possível a emergência de menos destinos de sol e praia acessíveis à população europeia.Por outro lado, a adesão dos países da Europa de Leste à União Europeia, representou  um 2ºchoque externo de grande impacto, porque a abertura política do Leste Europeu e a sua adesão à União Europeia vieram trazer uma forte competição a Portugal não só no comércio externo, como na atração de investimento direto estrangeiro em setores mais exigentes em qualificação. Também o choque energético, levou a um aumento do valor das importações, ficando a economia portuguesa muito dependente do valor dos combustíveis.Por último a adesão à União Europeia, desincentivou a orientação exportadora, reforçou a atratividade dos investimentos nos setores mais abrigados da competição internacional e mais dependentes do mercado interno, aumentou a componente importada do consumo privado, traduzindo -se numa perda cada vez maior da competitividade da economia e num acentuar da inflação dos preços nos setores menos expostos à concorrência.
Quais são as reformas estruturais para competir e crescer na globalização?
- Reforçar a competitividade fiscal, não só no que respeita à tributação das empresas, como à tributação dos rendimentos do trabalho, para não penalizar as melhores qualificações e competências;
-Qualificar recursos humanos no que respeita ao melhoramento do ensino básico e secundário, com base numa maior competição na oferta de serviços, e numa muito maior liberdade de escolha por parte das famílias que permitissem difundir mais rapidamente as modificações de conteúdos, métodos e valores cruciais para vencer , na economia baseada no conhecimento, num contexto das sociedades competitivas. No que respeita ao ensino universitário, deverá continuar o apoio à sua internacionalização, através de parcerias de escolas superiores com investidores estrangeiros;
- Reorganizar o envolvimento dos indivíduos no mercado de trabalho, diferenciando -o ao longo da vida ativa e prolongando esta, sob formas compatíveis com a qualidade de vida;
- Dispor de infra - estruturas de comunicação e informação até ao consumidor final.
A economia portuguesa necessita duma abertura de oportunidades do mercado exterior para que se justifique um aumento substancial e continuado do investimento do setor exportador;duma dinâmica do mercado interno, tendo em conta a atração do rendimento vindo do exterior, não só como turismo, mas como acolhimento de dezenas de milhares de residentes vindos da Europa, que podem contribuir para animar as atividades imobiliárias e de construção, utilizando ativos como crédito malparado; dum aumento substancial da produtividade dos fatores de capital, conhecimento, tecnologia e capital, quer nos setores exportadores, quer nos setores mais protegidos da concorrência internacional.
Portugal tem vantagens em estabelecer parcerias para a globalização:
- Com empresas que realizem IDE em Portugal, orientado para a exportação de bens e serviços.
- Com fundos soberanos ou grandes empresas globais que se tornem parceiros no capital das empresas dos setores infra -estruturais.
- Com Estados que venham a integrar no futuro, um consórcio de credores que tenham adquirido dívida soberana indexada ao crescimento da economia.





domingo, 26 de Janeiro de 2014

A ECONOMIA COMO CIÊNCIA SOCIAL

É significativo, o papel que a economia pode desempenhar como ciência social, focalizada na resolução dos problemas do Homem, nas suas variadas amplitudes, sejam elas de caráter económico ou social. É  possível observar e perceber os contrastes entre os modos de vida das pessoas que vivem no mesmo país, região ou até na mesma cidade, bem como tomar consciência do fosso que separa os pobres dos mais ricos e compreender, ao mesmo tempo, as múltiplas relações de interdependência entre essas populações e, de uma forma geral, entre os povos do mundo, face à existência de uma diversidade de meios e de formas de transporte e comunicação, encurtando física e geograficamente uma realidade que se encontra separada por uma grande distância em termos económicos e sociais e que se designa por "aldeia global".
Em face dessa realidade colocam -se algumas questões:
Como reduzir a desigualdade económica e social?Como possibilitar a liberdade e a dignidade humana?
A questão da interdependência, leva -nos ao conceito de aldeia global e à tão falada globalização. É portanto errado considerar que a globalização se restringe às vertentes económica e financeira da sociedade humana e aos fenómenos de expansão e crescimento das empresas multinacionais, aproveitando a abertura das fronteiras e a livre circulação de pessoas e capitais. No entanto, estas multinacionais, atuam em todos os setores da atividade económica com impato direto na vida dos cidadãos, desenvolvendo os seus negócios em áreas, que vão desde a saúde, à cultura, passando pelos serviços financeiros, acabando efetivamente, por fazer centrar em si, os aspetos mais marcantes da globalização. O objetivo final destas empresas multinacionais é o lucro a atingir de forma inexorável, de forma a remunerar os seus acionistas pelos investimentos efetuados e os seus colaboradores pelos serviços que lhes são prestados, satisfazendo assim as suas necessidades e preocupações de natureza financeira. Mas outros aspetos de carácter social  são importantes, porque quanto mais rica e próspera for uma região, em termos económicos e sociais, melhores condições tem a empresa para crescer. É  certo que as empresas devem assumir perante a comunidade o combate à pobreza, exclusão social e, desigualdade de meios entre as sociedades, em prol dos mais desfavorecidos. Em face disso, designa -se a Economia, como uma ciência social, que tem por finalidade, entre outras, o estudo do impacto que os fenómenos económicos representam no bem -estar das famílias e no bem -estar do ser humano.É nesta perspetiva que a Economia pode ser analisada através de dois vetores: um vetor científico- económico, que diz respeito à interpretação dos fenómenos estritamente económicos, de forma a explicar a realidade. Um outro vetor: o social, conduzindo a práticas cujo objetivo final, é contribuir para o bem -estar do Homem, enquanto ser social, através da construção de soluções que conduzem ao crescimento, e, consequentemente ao desenvolvimento nas suas vertentes económica, social e humana, através de uma maior equidade na distribuição dos bens e recursos, dignidade humana e justiça social. Pode -se afirmar que a produtividade e, consequentemente, o crescimento económico, dependem de fatores de natureza endógena e exógena. Entre os primeiros, encontram -se o ritmo dos investimentos da indústria em capital físico, a eficiência dos sistemas de produção, a utilização mais ou menos eficiente de novas tecnologias disponíveis, o ritmo da inovação, investigação e desenvolvimento, a qualidade da gestão empresarial,a qualidade dos recursos humanos, a capacidade de iniciativa empresarial para adotar novas estratégias de produtos e mercados. No que diz respeito aos fatores de natureza exógena, podemos apontar o ritmo de crescimento do mercado europeu, onde Portugal se insere, designadamente dos mercados internacionais, com os quais o nosso país  se desenvolve de forma mais intensa as suas relações comerciais, o ritmo de crescimento dos mercados financeiros internacionais, o nível de desenvolvimento tecnológico desses mercados, cuja tecnologia podemos importar. É minha opinião que no cenário atual da economia portuguesa, são estes os fatores, os mais determinantes para cumprir as metas e os objetivos da produtividade e do crescimento de forma sustentada.