sexta-feira, 4 de Abril de 2014

A ECONOMIA PORTUGUESA NO MUNDO GLOBAL

A Economia Portuguesa enfrentou um conjunto de problemas desde 2010. Entre eles é de referir, o da perda de competitividade nas produções em setores tradicionais que continuassem a assentar no trabalho manual pouco qualificado, face à tendência dos países industrializados se abastecerem de bens de consumo corrente de massa e banalizados aos menores custos.Tudo isto, por não se assistir a uma deslocação dos fatores de competitividade setorial para a qualificação/criatividade dos recursos humanos, a acumulação de capital e a organização de redes de fornecedores e de distribuição. Ao mesmo tempo, o país deparava -se com uma forte concorrência pela captação do investimento internacional, na área da indústria e dos serviços, exigindo estratégias mais estruturadas para atrair clusters de investimentos que mutuamente se articulavam com a estrutura produtiva existente. Como fatores de atratividade, são de salientar a capacidade de controlo sobre finanças públicas e de redução de inflação, a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento das empresas, a qualidade dos recursos humanos, a disponibilidade de infra -estruturas internacionais, a posição geográfica do País e a qualidade de vida urbana. Houve também dificuldades em aumentar as exportações de bens e serviços para enfrentar um possível aumento significativo do preço do petróleo e do gás, criando problemas na balança de pagamentos.
Todavia, considerou -se que todas as possíveis evoluções da economia global, criaram oportunidades a um país como Portugal, como por exemplo:
- A criação de redes mundiais de abastecimento por parte dos grandes operadores internacionais e de serviços, tornando possível às empresas portuguesas, com domínio de modernas tecnologias produtivas e capacidade de inovação, competir com fornecedores integradas nessas redes com capacidade de ascender a funções de maior complexidade e valorização;
- A forte dinâmica de uma multiplicidade de serviços internacionais, com graus diferentes de exigência, quanto às qualificações e de infra - estruturas internacionais, assegurando ritmos de crescimento e de criação de emprego sustentados;
- A localização do país numa posição central na bacia do Atlântico, constitui uma vantagem para os operadores industriais que queiram simultaneamente aceder, de um mesmo ponto, aos mercados da Europa, quer para certo tipo de componentes, quer para produtos finais.
É de salientar que o modo como a União Europeia se encontrava estruturada e as evoluções previsíveis, apontavam igualmente para para um conjunto de fatores susceptíveis de serem utilizados por Portugal para acelerar o seu crescimento e alcançar um melhor posicionamento no espaço da União Europeia.
Tais fatores são:
1 - O acesso a um grande mercado, suportado por infra -estruturas de transportes e comunicações modernas, onde surgiram novas oportunidades industriais portuguesas, na base de fatores de competitividade, relativamente aos nossos concorrentes extra - europeus(graças à flexibilidade e rapidez dos processos comerciais  decorrentes da ausência de  fronteiras).
2 - As potencialidades de crescimento oferecidas por um conjunto de serviços destinados aos mercados europeus, desde o turismo, aos serviços de saúde, até aos serviços de back-office ou de formação - constituem oportunidades para Portugal compensar algumas dificuldades que enfrente na criação de empregos na área industrial;
3 - A possibilidade de obtenção de financiamentos externos dirigidos à melhoria das condições de infra - estruturas que permitam a Portugal participar nas redes de logística global.
Numa pequena economia aberta, como a portuguesa, a obtenção de taxas de crescimento que permitam reduzir o atual desnível em relação aos parceiros da União Europeia, explorando a dinâmica da globalização, depende da melhoria da competitividade global da economia, traduzida numa evolução da estrutura produtiva e da especialização internacional que permita atingir dois objetivos:
- Aumentar as quotas de mercado em produtos(bens e serviços) e em destinos geográficos que revelem taxas de crescimento superiores à média da economia europeia;
- Evoluir com êxito para segmentos mais dinâmicos e de maior valor acrescentado, nos mercados em que a economia portuguesa está atualmente mais presente.
Todo o conjunto de transformações da estrutura produtiva não poderá reduzir -se a escolhas simples, deverá ser pensado um conjunto de combinações no quadro de cenários alternativos da estrutura produtiva e da especialização internacional, por:
- Um papel central desempenado pelos setores têxtil/vestuário e calçado, com estratégias de competitividade centradas na melhoria da qualidade e da inovação dos produtos e na modernização dos processos produtivos, contribuindo para a mudança de imagem do país, como produtor de bens mais elaborados. Nesta estratégia, inclui -se a criação de marcas próprias a comercializar na Europa,mantendo -se o papel preponderante de distribuição de controlo externo.
- Um crescimento do turismo, com uma mais forte presença no mercado espanhol, especialmente junto das camadas médias e da gama mais baixa do mercado europeu, assegurando elevadas taxas de ocupação.
-Um desenvolvimento de atividades de clusters como ourivesaria, produtos de alta qualidade e pela alteração na fileira pasta/papel de um segmento de fibras celulósicas .
Portugal na sua abertura ao exterior definiu -se como periferia europeia de baixos salários e mão - de - obra barata sem grande qualificação, orientada para a produção industrial de bens de consumo de massa, para o aproveitamento de matérias - primas florestais e como destino turístico de sol e praia. Ora a globalização veio retirar funções às periferias de baixos salários de cada uma das regiões mais desenvolvidas do mundo, transferindo essas funções para a China, tornando possível a emergência de menos destinos de sol e praia acessíveis à população europeia.Por outro lado, a adesão dos países da Europa de Leste à União Europeia, representou  um 2ºchoque externo de grande impacto, porque a abertura política do Leste Europeu e a sua adesão à União Europeia vieram trazer uma forte competição a Portugal não só no comércio externo, como na atração de investimento direto estrangeiro em setores mais exigentes em qualificação. Também o choque energético, levou a um aumento do valor das importações, ficando a economia portuguesa muito dependente do valor dos combustíveis.Por último a adesão à União Europeia, desincentivou a orientação exportadora, reforçou a atratividade dos investimentos nos setores mais abrigados da competição internacional e mais dependentes do mercado interno, aumentou a componente importada do consumo privado, traduzindo -se numa perda cada vez maior da competitividade da economia e num acentuar da inflação dos preços nos setores menos expostos à concorrência.
Quais são as reformas estruturais para competir e crescer na globalização?
- Reforçar a competitividade fiscal, não só no que respeita à tributação das empresas, como à tributação dos rendimentos do trabalho, para não penalizar as melhores qualificações e competências;
-Qualificar recursos humanos no que respeita ao melhoramento do ensino básico e secundário, com base numa maior competição na oferta de serviços, e numa muito maior liberdade de escolha por parte das famílias que permitissem difundir mais rapidamente as modificações de conteúdos, métodos e valores cruciais para vencer , na economia baseada no conhecimento, num contexto das sociedades competitivas. No que respeita ao ensino universitário, deverá continuar o apoio à sua internacionalização, através de parcerias de escolas superiores com investidores estrangeiros;
- Reorganizar o envolvimento dos indivíduos no mercado de trabalho, diferenciando -o ao longo da vida ativa e prolongando esta, sob formas compatíveis com a qualidade de vida;
- Dispor de infra - estruturas de comunicação e informação até ao consumidor final.
A economia portuguesa necessita duma abertura de oportunidades do mercado exterior para que se justifique um aumento substancial e continuado do investimento do setor exportador;duma dinâmica do mercado interno, tendo em conta a atração do rendimento vindo do exterior, não só como turismo, mas como acolhimento de dezenas de milhares de residentes vindos da Europa, que podem contribuir para animar as atividades imobiliárias e de construção, utilizando ativos como crédito malparado; dum aumento substancial da produtividade dos fatores de capital, conhecimento, tecnologia e capital, quer nos setores exportadores, quer nos setores mais protegidos da concorrência internacional.
Portugal tem vantagens em estabelecer parcerias para a globalização:
- Com empresas que realizem IDE em Portugal, orientado para a exportação de bens e serviços.
- Com fundos soberanos ou grandes empresas globais que se tornem parceiros no capital das empresas dos setores infra -estruturais.
- Com Estados que venham a integrar no futuro, um consórcio de credores que tenham adquirido dívida soberana indexada ao crescimento da economia.





domingo, 26 de Janeiro de 2014

A ECONOMIA COMO CIÊNCIA SOCIAL

É significativo, o papel que a economia pode desempenhar como ciência social, focalizada na resolução dos problemas do Homem, nas suas variadas amplitudes, sejam elas de caráter económico ou social. É  possível observar e perceber os contrastes entre os modos de vida das pessoas que vivem no mesmo país, região ou até na mesma cidade, bem como tomar consciência do fosso que separa os pobres dos mais ricos e compreender, ao mesmo tempo, as múltiplas relações de interdependência entre essas populações e, de uma forma geral, entre os povos do mundo, face à existência de uma diversidade de meios e de formas de transporte e comunicação, encurtando física e geograficamente uma realidade que se encontra separada por uma grande distância em termos económicos e sociais e que se designa por "aldeia global".
Em face dessa realidade colocam -se algumas questões:
Como reduzir a desigualdade económica e social?Como possibilitar a liberdade e a dignidade humana?
A questão da interdependência, leva -nos ao conceito de aldeia global e à tão falada globalização. É portanto errado considerar que a globalização se restringe às vertentes económica e financeira da sociedade humana e aos fenómenos de expansão e crescimento das empresas multinacionais, aproveitando a abertura das fronteiras e a livre circulação de pessoas e capitais. No entanto, estas multinacionais, atuam em todos os setores da atividade económica com impato direto na vida dos cidadãos, desenvolvendo os seus negócios em áreas, que vão desde a saúde, à cultura, passando pelos serviços financeiros, acabando efetivamente, por fazer centrar em si, os aspetos mais marcantes da globalização. O objetivo final destas empresas multinacionais é o lucro a atingir de forma inexorável, de forma a remunerar os seus acionistas pelos investimentos efetuados e os seus colaboradores pelos serviços que lhes são prestados, satisfazendo assim as suas necessidades e preocupações de natureza financeira. Mas outros aspetos de carácter social  são importantes, porque quanto mais rica e próspera for uma região, em termos económicos e sociais, melhores condições tem a empresa para crescer. É  certo que as empresas devem assumir perante a comunidade o combate à pobreza, exclusão social e, desigualdade de meios entre as sociedades, em prol dos mais desfavorecidos. Em face disso, designa -se a Economia, como uma ciência social, que tem por finalidade, entre outras, o estudo do impacto que os fenómenos económicos representam no bem -estar das famílias e no bem -estar do ser humano.É nesta perspetiva que a Economia pode ser analisada através de dois vetores: um vetor científico- económico, que diz respeito à interpretação dos fenómenos estritamente económicos, de forma a explicar a realidade. Um outro vetor: o social, conduzindo a práticas cujo objetivo final, é contribuir para o bem -estar do Homem, enquanto ser social, através da construção de soluções que conduzem ao crescimento, e, consequentemente ao desenvolvimento nas suas vertentes económica, social e humana, através de uma maior equidade na distribuição dos bens e recursos, dignidade humana e justiça social. Pode -se afirmar que a produtividade e, consequentemente, o crescimento económico, dependem de fatores de natureza endógena e exógena. Entre os primeiros, encontram -se o ritmo dos investimentos da indústria em capital físico, a eficiência dos sistemas de produção, a utilização mais ou menos eficiente de novas tecnologias disponíveis, o ritmo da inovação, investigação e desenvolvimento, a qualidade da gestão empresarial,a qualidade dos recursos humanos, a capacidade de iniciativa empresarial para adotar novas estratégias de produtos e mercados. No que diz respeito aos fatores de natureza exógena, podemos apontar o ritmo de crescimento do mercado europeu, onde Portugal se insere, designadamente dos mercados internacionais, com os quais o nosso país  se desenvolve de forma mais intensa as suas relações comerciais, o ritmo de crescimento dos mercados financeiros internacionais, o nível de desenvolvimento tecnológico desses mercados, cuja tecnologia podemos importar. É minha opinião que no cenário atual da economia portuguesa, são estes os fatores, os mais determinantes para cumprir as metas e os objetivos da produtividade e do crescimento de forma sustentada.

sábado, 25 de Janeiro de 2014

EMPREENDEDORISMO NO MUNDO DO TRABALHO

Ninguém nasce empreendedor. O empreendedor faz -se a si mesmo, embora haja fatores que podem contribuir para que um indivíduo seja um verdadeiro empreendedor. Quais são esses fatores?Por exemplo são fatores inatos de personalidade: a influência e história familiar próxima, a vivência num meio onde as relações sociais e profissionais são mais propensas a tal, em virtude de experiências pessoais e profissionais passadas, a formação académica, ou por necessidade. Serão esses fatores absolutamente determinantes? Por vezes o fato de terem suporte financeiro e familiar, não representa nada se faltarem as ideias, a vontade ou capacidade de as concretizar. De qualquer forma, acredito que, o que mais determina o sentido de empreendedorismo dos indivíduos, será em primeiro lugar,os seus traços de personalidade, sendo esta característica gerada pela influência familiar, experiências sociais, pessoais e profissionais vividas.
Se nos centrarmos em concreto no empreendedorismo, como a criação e desenvolvimento de um projeto empresarial, a conceção de uma ideia que diga respeito  ao surgimento de algo na cabeça do empreendedor que, se pode consubstanciar no desejo e vontade de criar uma empresa, essa ideia pode surgir de várias origens: a deteção de uma oportunidade de mercado, a aplicação de capacidades e experiência profissional adquiridas, hobbies pessoais, invenção criada pelo próprio, ou paixão por uma determinada atividade. Qualquer que seja essa ideia, esta tem acima de tudo, que ser realista e ajustada ao mercado onde pretende prosperar. É neste contexto que deve ser desenhado o perfil da empresa, tendo em conta o perfil do empreendedor. Por isso este deve ter em conta uma diversidade de aspetos na fase de arranque do seu projeto, como sejam:
  • A sua experiência no negócio;
  • A adequação da sua formação profissional ao projeto;
  • O tipo, dimensão e maturidade do mercado onde pretende entrar;
  • O tipo de concorrentes existentes;
  • O perfil do consumidor;
  • As características do produto ou serviço que pretende oferecer;
  • As suas necessidades de financiamento;
  • A capacidade e as fontes disponíveis para financiar;
  • Os apoios disponíveis à sua atividade.
A regulamentação da atividade, se a houver, para além de outras condições como o capital necessário, quem, quantos e quais, são os objetivos do projeto, a localização da empresa, o tipo da de licença para operar, entre alguns outros.
Acima de tudo, importa perceber se o mercado reconhece a importância e a necessidade da sua oferta e se é exequível a criação e o desenvolvimento do negócio, tal qual foi pensado.
O crescimento económico induzido pelo reforço da produtividade das empresas, levando o país a produzir mais, a exportar mais, a criar mais emprego e riqueza, são indispensáveis ao empreendedorismo. Basta enveredar pelo caminho da reindustrialização, como medida para a recuperação económica do país, para que consigamos tornar Portugal mais competitivo e criador de riqueza, o que levará a ultrapassar as atuais dificuldades. Contudo, por vezes, é falaciosa esta medida de recuperação porque, para existir mais industrialização, são necessários mais empresários  e  porém, o país não é dotado de um leque suficiente de empresários que possam pôr em prática, em poucos anos, o objetivo da reindustrialização.
Quanto à criação de riqueza e de emprego, as limitações da reindustrialização moderna são significativas:por um lado, a falta de capital com que os empresários iniciam as suas atividades e o escasso acesso ao crédito por parte das micro e pequenas empresas. Por outro lado, a fuga das empresas multinacionais do país deslocalizando-se para o oriente, ou encerrando atividades devido à crise. Mas Portugal tem outras competências, como sendo um país de serviços para a indústria. As suas boas infra- estruturas de comunicação, o conhecimento, a formação e o ecletismo do povo, podem permitir ao país, atrair indústrias que concentrem aqui conhecimento, tecnologia e informação designados shared services centers. Desta forma teremos em Portugal, a criação de empresas multinacionais, de emprego e de riqueza e condições para competir com outros países. Por isso, o país tem que ser capaz de captar o investimento, através de um quadro fiscal favorável, pouco agressivo e especialmente estável, bem como de um sistema burocrático e administrativo leve. Empreender em Portugal passa por um grande investimento na educação e formação, desenvolvimento de novas competências, aumento da produtividade e competitividade em termos internacionais. Do calçado ao design, da arquitetura à moda, do artesanato aos espetáculos, Portugal tem competências únicas e condições para atrair novas pessoas evitando assim a fuga dos cérebros. É essencial divulgar lá fora o que de bom e positivo temos vindo a construir nos últimos anos. Os casos de sucesso desenvolvidos internamente em setores, como os da tecnologia de informação,genética e biotecnologia são exemplos de sucesso, onde podemos encontrar empresas que procuram investigação na procura de medicamentos aplicados na cura de doenças contra o cancro. Portugal tem também a oferta turística que representa um fator de crescimento económico e de competitividade.

sexta-feira, 27 de Dezembro de 2013

ACREDITAR OU NÃO NA EUROPA?

Em muitos Estados - Membros deixou de ser possível levar a cabo os necessários esforços para combinar a inovação e o desenvolvimento sustentável. A estratégia europeia de crescimento, foi interrompida e a Europa é vista como um problema internacional, deixando alguns dos cidadãos, acreditar na Europa.
O objetivo fundamental é tornar a Europa capaz de desenvolver o seu próprio projeto, de acordo com os seus valores e cultura, proporcionando esperança aos cidadãos, para conseguirem dar uma contribuição ativa para uma governação global. Quando a recessão atingiu a Europa o que se pensou foi:"ou aprofundamos a integração europeia para vencer esta crise ou esta crise irá minar a integração europeia".
A crise da dívida soberana na maioria dos Estados - Membros foi principalmente desencadeada pela crise financeira de 2008, revelando os perigos de um capitalismo conduzido pela finança desregulada. Mas a capacidade de a ultrapassar foi dificultada por falhas institucionais e por desequilíbrios económicos já existentes na Zona Euro, antes desta crise. Em muitos países da Zona Euro,em especial, Portugal, o défice externo e a dívida eram demasiado elevados, devido a uma falta de competitividade e a um endividamento excessivo, por parte das empresas e das famílias. Este fato, limitou a disponibilidade de recursos internos,considerados vitais para garantir uma dívida sustentável e reduções do défice público. Além disso, muitos modelos de crescimento nacionais já não eram sustentáveis, e não faziam face à concorrência global e às exigências económicas em mudança. Mas a principal razão pela qual a crise das dívidas soberanas se interligou com a crise bancária e a alastrou de uma forma significativa por toda a Europa, foi a falta de instrumentos europeus mais fortes que assegurem o serviço da dívida pública,que exista liquidez suficiente, para sustentar o crédito bancário e as empresas. Tudo isto, seria indispensável para apoiar o crescimento e o emprego, para alimentar o investimento, para um novo tipo de competitividade e, para deste modo, assegurar a capacidade de reembolsar as dívidas públicas e privadas. Mas, a principal preocupação, foi obrigar cada um dos países a resolver os seus problemas internos de desequilíbrios da dívida soberana e bancária, mesmo que o potencial de  crescimento fosse reduzido. É evidente que cada país entregue a si próprio, não poderá ultrapassar problemas, como a fuga de capitais estrangeiros e nacionais, quando estamos numa moeda única em que o livre movimento de capitais existe por definição.
Os problemas de liquidez transformaram -se em problemas de solvabilidade e, o efeito de contágio propagou -se a diversos países e à Zona Euro como um todo. Grandes diferenças nos spreads e nas taxas de juro entre países geraram divergências cumulativas no investimento, no crescimento e no desemprego. Apesar dos diversos novos instrumentos, há necessidade de todos encontrarem uma solução.
Que solução?
Uma solução credível exige uma união bancária abrangente, uma união orçamental e uma união política para completar a União Económica e Monetária:

  • Uma União Bancária para proteger as poupanças e para assegurar crédito responsável em toda a Zona Euro, em troca de uma supervisão bancária europeia mais forte;
  • Uma União Orçamental com a possibilidade da emissão de dívida para estabilizar os custos do endividamento público, a um nível razoável, em troca de uma maior coordenação da política de impostos e uma maior disciplina orçamental a um nível nacional;
  • Uma União Económica com uma estratégia comum de crescimento e um orçamento comum para os suportar e para reduzir as desigualdades internas em troca de esforços de reforma em cada Estado- Membro;
  • Uma União Política para assegurar uma governação democrática.
A crise, se não for resolvida, afeta não apenas a Zona Euro, mas também o próprio futuro da integração europeia, e o lugar da Europa no Mundo.
O que realmente interessa ,é que cada Estado - Membro compreenda o interesse superior da Europa. O novo contrato de todos os direitos e deveres de todos os países e cidadãos é indispensável para ultrapassar a crise com que atualmente a Zona Euro e a integração europeia se defrontam.
Devemos usar a dimensão europeia para modelar a globalização e para substituir o atual modelo de crescimento, que já não é sustentável, do ponto de vista económico, ambiental, social e financeiro. Em termos económicos, porque necessitamos de um novo tipo de competitividade, baseado na criatividade das pessoas;
Em termos ambientais, porque necessitamos de alterar os nossos padrões de produção e consumo;
Em termos sociais, devido às tendências demográficas de envelhecimento das populações e à falta de condições para criar filhos;
Em termos financeiros, porque necessitamos de reduzir o sobre - endividamento;
No início do século XXI, numa União em permanente mudança, a principal preocupação devia ser olhar para o exterior; preparar a Europa para uma e nova ordem global e uma nova vaga tecnológica na direção de uma economia baseada no conhecimento.
A Europa necessitava de investir no conhecimento, na investigação e na educação; necessitava  de tirar a vantagem possível de um mercado único, de forma a abrir novas oportunidades de investimento e de criação de emprego;necessitava  da atualização de um modelo social europeu, para assegurar a proteção social de forma sustentada  e adaptar as condições do mercado de trabalho; e ainda de manter políticas macroeconómicas eficazes que apoiem o crescimento.
O que a Europa poderia fazer para uma melhor governação global?
A resposta seria uma grande "negociação" para "um new deal global",estabelecendo novos compromissos para :

  • Países em vias desenvolvimento: uma crescente integração na economia global, acompanhada de programas destinados a construir a sua capacidade económica nacional, tecnológica e educativa e melhoria das condições de trabalho, tendo como pré - requisito uma governação democrática e respeito pelos direitos humanos;
  • Países desenvolvidos: a abertura dos seus mercados às exportações dos países em vias de desenvolvimento, a reconversão para novas área de atividade, a cooperação e ajuda financeira aos países em vias de desenvolvimento e a evolução para padrões de consumo e de produção sustentáveis;
  • Países emergentes e novas potências globais:a sua integração mais profunda na economia global,combinada com a sua convergência com melhores padrões na área ambiental e social, devendo ser apoiada por uma mais forte mobilidade de recursos financeiros e tecnológicos nacionais e internacionais.
Nesta fase, a União Europeia, com o seu Tratado de Lisboa, estava bem colocada para liderar novos passos internacionais e para dar uma resposta coordenada a desafios globais, como as alterações climáticas, o crescimento, a finança, a coesão social, a paz e a segurança. Uma crise tão profunda como esta,, necessitava de uma resposta que protegesse as poupanças das pessoas e criasse novos empregos em novas atividades. Os líderes da União Europeia concordaram em lançar planos de recuperação nacional para fomentar o crescimento e salvar o sistema bancário, bem como proteger a credibilidade do euro.
Defendiam planos de investimentos supranacionais, a possibilidade de travar o agravamento de impostos sobre os contribuintes para obter receitas públicas, considerando a possibilidade da emissão de Eurobonds pelo Banco Europeu de Investimento. Por isso será evidente que: ou os países da União Europeia irão criar instrumentos mais fortes para contrariar a crise, ou a crise irá minar a própria Europa.
Na realidade não havia uma verdadeira união. Qual o caminho a percorrer?
Seria completar a União Económica e Monetária, criando reformas de governação económica, reforçar os mecanismos de gestão da crise, e equilibrar a disciplina orçamental por um lado, e apoio à criação de empregos e de crescimento, por outro.
Uma saída possível para acreditar na Europa,será uma partilha de soberania,um empenho mais profundo na integração europeia, não esquecendo que a União Europeia é uma construção única, concebida para assegurar a economia num mundo globalizado.



segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013

O QUE SIGNIFICA DESENVOLVIMENTO?

O Desenvolvimento é pessoal, humano, económico, social, cultural, comunitário, sustentável e global. Pode ser entendido num sentido de valorização e melhoria das capacidades e recursos individuais, de aperfeiçoamento e evolução, nos planos material e espiritual; mas também um quadro social mais amplo que remete para a construção do bem - comum, para as dinâmicas coletivas da vida social e comunitária. O desenvolvimento serve para se compreenderem as relações à escala internacional entre com níveis diferenciados de acesso à riqueza e de controlo da sua distribuição, com poderes diferentes de gestão dos seus recursos e de governo das instituições que permitem a sua utilização eficiente. O processo de desenvolvimento implica inevitavelmente, a consideração de um mundo globalizado. 
O desenvolvimento mede -se através de vários indicadores ( produto per capita, esperança média de vida à nascença, taxa de mortalidade infantil, taxa de alfabetização e qualidade das instituições), que permitem avaliar o que torna as pessoas e as nações mais desenvolvidas do que outras.
Em Portugal constata -se a existência de fortes assimetrias e de uma dualidade no processo de desenvolvimento económico e social. Mas que dualidade? De um lado, um país rural marcado por uma agricultura estagnada e bloqueada, abrangendo uma área social muito vasta onde prevalecem os ritmos de atividades económicas tradicionais. Do outro lado, um país em movimento de progresso sob a liderança de setores industriais em expansão, todavia restrito a zonas limitadas do tecido social mais recetivo e atraído pelas vantagens dos padrões de consumo e níveis de rendimento de uma economia moderna.
A noção de desenvolvimento não permite a sua identificação com o crescimento do produto per capita, com o acréscimo de rendimento e riqueza, ou com um mero processo de acumulação de capital. Através do conceito de" Índice de Desenvolvimento Humano", o desenvolvimento é definido como um processo de alargamento de escolhas das pessoas. Entre as mais difíceis escolhas, com que as pessoas se confrontam, reconhece -se a importância das que se referem à garantia de "viver uma vida longa e saudável" e de "ter acesso à educação" e aos recursos necessários para alcançar padrões de vida dignos, sem esquecer outras escolhas básicas relativas à liberdade política e ao exercício pleno dos direitos humanos. O IDH permite traçar a evolução do desempenho das sociedades ao longo do tempo, possibilitando igualmente uma abordagem comparativa dos resultados obtidos por diferentes países. Os termos de comparação são suscetíveis de mensuração estatística, nomeadamente, os níveis de alfabetização e escolaridade, esperança de vida à nascença, e o rendimento per capita em paridades do poder de compra. Neste sentido o desenvolvimento humano, reflete graus de desempenho e modos de organização de vida de uma sociedade que depende em larga medida, do modo como os homens efetuam as suas escolhas. A medição do IDH oferece uma base sólida e credível que permite compreender a posição relativa de cada país no contexto internacional.No último relatório sobre a matéria produzido pelas Nações Unidas, Portugal surge na cauda dos países de IDH muito elevado, ou seja: é um dos países menos desenvolvidos com maior IDH.  Outro domínio é a desigualdade crescente na distribuição do rendimento. Portugal é um dos países da União Europeia a 27 com maior valor do índice de Gini ( indicador da desigualdade na distribuição do rendimento) É um dos países onde é maior o fosso que separa os 20% dos mais pobres dos 20% dos mais ricos, por isso as desigualdades sociais acentuaram -se. Os benefícios invisíveis da globalização, terão certamente contribuído para algumas importantes modificações que ocorrem na ordem mundial.Assim parece certo admitir, que estamos agora no limiar de um novo processo de globalização em que alguns países menos industrializados conseguem criar as condições indispensáveis a um crescimento económico sustentável, passando do estatuto de economias emergentes ao de economias dominantes..A dimensão do desenvolvimento reveste uma importância acrescida. Trata -se de uma solução que aproxima agentes que partilham objetivos  e interesses comuns. É inevitável a necessidade de mais e melhor educação, mais e melhor emprego, que garantam inovação e competitividade, não perdendo de vista a indispensável coesão que resulta da eliminação de fatores que originam desigualdade social. Por isso, é fundamental acreditar que é necessário e possível fazer mais e melhor para que os benefícios do desenvolvimento possam a ser sentidos a longo prazo.

terça-feira, 10 de Dezembro de 2013

O QUE É O NEOLIBERALISMO?

"Neoliberalismo" é um conceito bastante lato e geral que se refere a um modelo económico, que se tornou preponderante nos anos 80. Concebido com base no ideal liberal clássico que se autorregula, o neoliberalismo apresenta -se em várias modalidades:
1-Uma ideologia;
2-Um modo de governação;
3-Um conjunto de políticas.
As ideologias são sistemas de ideias amplamente partilhadas de convicções básicas, admitidas como verdadeiras por grupos significativos na sociedade. Apresentam uma imagem mais ou menos coerente do mundo, não só tal como este é, mas também, como deveria ser. Deste modo, as ideologias organizam as suas ideias fundamentais em princípios simples que encorajam as pessoas a agir de certa maneira. Estes princípios são reunidos por sistematizadores de ideologias, para legitimarem determinados interesses políticos e defenderem ou contestarem as estruturas de poder dominantes.Estes sistematizadores do neoliberalismo são elites do poder global, que incluem administradores e executivos de grandes empresas multinacionais,jornalistas influentes, especialistas de relações públicas, burocratas ,o Estado e os políticos.
Os decisores neoliberais funcionam como designers especializados e apelativos para uma agenda política amiga do mercado. As afirmações ideológicas têm como referência uma interdependência global enraízada nos princípios do capitalismo do mercado livre: comércio global e mercados financeiros, fluxos de bens, serviços e mão-de-obra, empresas multinacionais, centros financeiros em offshores. Por isso, faz sentido pensar no neoliberalismo como uma ideologia que põe a produção e a transação de bens materiais no centro da experiência humana.
A segunda dimensão do neoliberalismo tem a ver com certos modos de governação, baseados em premissas lógicas e relações de poder específicas. Uma governação neoliberal enraíza -se em valores empresariais, como a competitividade , o interesse pessoal e descentralização. Este modelo neoliberal de governação adota o mercado livre autorregulador como um modelo, por excelência, de um governo correto.
Os modos neoliberais de governação, encorajam a transformação das mentalidades burocráticas em identidades empreendedoras,em que os trabalhadores do Estado já não se vêm como funcionários públicos e guardiãos de um "bem público", qualitativamente definido, mas como agentes interessados, responsáveis pelo mercado e contribuintes para o sucesso "monetário das empresas" estatais emagrecidas. Nos inícios dos anos 80, um novo modelo de administração pública, conhecido como" nova gestão pública", dominou por completo as burocracias estatais de muitos países do mundo. O modo de governação liberal encorajou os administradores a cultivarem um "espírito empreendedor". Se as empresas privadas têm de criar inovação e aumentar a produtividade para sobreviver no mercado concorrencial, porque não os trabalhadores do governo adotar os ideais neoliberais para melhorar o setor público?
AL GORE , utilizou nos anos 90, os novos princípios de gestão pública, cujo objetivo declarado era aumentar a eficiência, a efetividade e a responsabilidade administrativa.
Em terceiro lugar, o neoliberalismo manifesta -se como um conjunto de políticas públicas, que incluem grandes cortes nos impostos, redução dos serviços sociais , uso das taxas de juro pelos bancos centrais independentes para manter a inflação controlada, paraísos fiscais para as empresas nacionais e estrangeiras que queiram investir em determinadas zonas económicas, novos espaços urbanos comerciais concebidos, segundo os imperativos do mercado, medidas anti -sindicais para aumentar a produtividade e a flexibilidade laboral e eliminação dos controlos dos fluxos globais e financeiros e comerciais. Os neoliberais insistem no primado dos mercados sobre a política, afirmando que a democracia depende da economia do mercado livre. No fim dos anos 90, o neoliberalismo difundiu -se por quase todo o mundo.  Os seus defensores recorreram ao argumento apelativo da globalização inevitável do mercado para convencerem as pessoas de que a liberalização do comércio e os mercados minimamente regulados, resultam de um grande crescimento económico e de um melhoramento das condições de vida de todo o mundo.
O neoliberalismo terá fim? Sim. No início de 2009, economistas de todo o mundo, concordaram que a economia global  estava em plena recessão, que ameaçava transformar -se numa bola de neve e conduzir a uma Grande Depressão.

sábado, 30 de Novembro de 2013

UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA: SERÁ POSSÍVEL?

Podemos atingir uma sociedade mais justa, de acordo com os nossos valores fundamentais, com mais oportunidades, uma receita nacional total mais elevada, uma democracia mais forte, e, padrões de vida mais elevados para a maioria das pessoas. Se se investir mais na nossa sociedade, na educação, na tecnologia e nas infraestruturas e se se conseguir dar mais segurança ao cidadão comum, a economia  será mais dinâmica e mais eficiente. Por isso é necessário, criar reformas políticas e económicas. Vejamos algumas dessas reformas:
  • Impor restrições à alavancagem financeira  e à liquidez, pois os bancos parecem de algum modo acreditar que podem criar recursos usando a magia da alavancagem;
  • Tornar os bancos e as empresas de cartões de crédito mais competitivos, e garantir que devem agir de forma competitiva ;
  • Tornar mais difícil aos bancos efetuarem empréstimos predatórios e práticas abusivas de cartões de crédito;
  • Encerrar os bancos offshore que têm sido bem sucedidos a promover a evasão fiscal;
  • Melhorar o acesso à educação, no sentido de que o dinheiro público possa e deva ser usado para aumentar o apoio a sistemas de ensino superior estatais sem fins lucrativos, e  providenciar bolsas que garantam o acesso aos mais pobres;
  • Acesso igual para todos ao sistema de saúde: a maioria dos países têm o acesso à saúde como um direito humano básico e para todos. A falta de acesso à saúde contribui significativamente para a desigualdade, prejudicando o desempenho da nossa economia;
  • Fortalecer outros programas de proteção social. A crise mostrou que é inadequado o nosso sistema de subsídio de desemprego. A nova realidade é que, dada a magnitude da recessão de 2008 ,e ,dada a magnitude da transformação estrutural que a nossa economia atravessa, haverá inúmeros desempregados de longo prazo, no futuro.
  • Controlar a globalização. Vejamos: ainda que a globalização possa beneficiar; a sociedade em geral, deixou muitos para trás, dado que, em grande medida ,a globalização tem sido gerida por interesses económicos, em benefício destes.A resposta à ameaça da globalização tende demasiadas vezes a piorar a vida dos trabalhadores, não só cortando salários, mas também reduzindo as proteções sociais. Para a maioria dos países, algumas restrições ao descontrolado fluxo de capital, criaram não só, uma economia mais estável, mas também uma economia, onde os mercados de capitais colocaram uma mão menos pesada sobre o resto da sociedade. Se a globalização não for melhor gerida do que tem sido, há um risco de retrocesso ao protecionismo. Manter este tipo de sociedade e de Estado que serve toda a gente, consciente dos princípios da justiça, utilizando o jogo limpo da desigualdade de oportunidades, não acontece por si só. Alguém tem de zelar por isso. Contudo, a nossa sociedade cresceu  de forma desordenada. É certo, que ninguém propõe a abolição das grandes empresas porque há muitas que exploram os trabalhadores ou danificam o ambiente, ou se envolvem em práticas anticoncorrenciais. Reconhecendo os perigos, vamos tentar alterar os comportamentos com a esperança de que as reformas podem eliminar a desigualdade ou até de criar uma igualdade de oportunidades. Será que conseguimos lá chegar? Sim conseguiremos uma sociedade, onde a distância entre os que têm e os que nada têm, será encurtada, onde existe um sentido de destino partilhado, um compromisso comum com a igualdade de oportunidades e a equidade, onde as palavras "liberdade e justiça para todos" significam o que os direitos da UE parecem significar, onde onde se levará a sério a" Declaração Universal dos Direitos Humanos," que não só enfatizará a importância dos direitos civis, mas também dos económicos dos cidadãos comuns.