terça-feira, 30 de junho de 2015

A GRANDE CRISE DA ZONA EURO

 
A Grécia foi o Lehman da Europa.  A cise da Zona Euro colocou em perigo a estabilidade global, de tal forma, que desencadeou um desastre económico .O que causou a crise em dominó na Zona Euro? A causa próxima foi semelhante à crise global de 2007 e 2008:"paragens súbitas" no financiamento, não apenas das instituições financeiras ,mas nos países da Zona Euro. Esperava-se que a moeda única tornasse a balança de pagamentos irrelevante entre os Estados - membros da Zona Euro. Mas , a maior lição da crise é a d que a balança de pagamentos continua a ter tanta importância no interior de uma união monetária, como no seu exterior. Uma vez que o ajustamento monetário foi eliminado, é de referir que  balança de pagamentos tem ainda mais importância no interior de uma união monetária, do que aquilo que acontece com os países independentes, com moedas flutuantes e com os seus próprios bancos centrais. Uma vez que um aís dentro de uma união monetária, se torne dependente de grandes influxos de capital líquido, uma súbita interrupção neste tipo de fluxos cansará uma crise económica. Uma tal crise será marcada por um choque financeiro, no momento em que o financiamento externo é retirado, e, por uma profunda recessão, quando as importações de que uma economia se torna dependente, já não podem ser financiadas.
 O imposto de uma crise é também altamente assimétrico: para os países com excedentes é uma inconveniência, quando o valor dos seus direitos financeiros sobre os países deficitários é questionado; mas para os países deficitários é uma questão de vida ou de morte económica, na medida em que o impacto a curto prazo de uma subida retirada do financiamento externo devasta a economia. Assim, antes da crise enormes fluxos de capital privado dirigira -se a um certo número de países do Sul da Europa e à Irlanda, sob a forma de dívida bancária. Estes fluxos provieram de países com excesso de poupança e fraca procura de crédito interno dirigindo-se a países com uma contínua procura de crédito que pareciam oferecer retornos superiores e uma segurança menos razoável.
Os países atingidos pela crise foram os que tinham enormes défices da balança corrente em relação ao PIB, antes da crise. Estes enormes défices refletem os fluxos do setor privado para aquilo que erradamente se acreditou que eram oportunidades de retornos mais elevados em economias mais dinâmicas, como o setor da construção em Espanha. Por outro lado, os défices e os excedentes das balanças de pagamentos, explica- se por um excesso de receita sobre a despesa- ou um excedente de poupança sobre o investimento, nos países excedentários, e o oposto nos países deficitários. É apenas isso que significa um excedente ou um défice na balança corrente. Os excedentes implicam défices e vice- versa. Também os excedentes e os défices refletem uma forte competitividade nos países excedentários e uma competitividade em declínio nos países deficitários. Estas perdas de competitividade estavam inevitavelmente associadas a mudanças significativas na estrutura das economias: os países excedentários, as indústrias que produzem bens e serviços transacionáveis, em particular a produção industrial orientada para a exportação expandiram -se. Nos países com défices externos, aconteceu o oposto. Não há dúvida de que a existência da moeda única aumenta significativamente, as hipóteses de crises orçamentais devastadoras. Isso é uma consequência de a mesma taxa de juro servir todos. O resultado foi uma divergência generalizada no crescimento do crédito, nos ordenados, nos preços e no défice externo, que terminaram numa crise. A crise da zona Euro desencadeou uma enorme crise global. A zona Euro é considerada  a segunda maior economia do mundo. É portanto razoável assumir, que o equilíbrio externo é determinado pelo mercado.. Os desequilíbrios internos teem sido muito mais significativos do que os externos.Então, a passagem da Alemanha para um excedente da balança correte, e a passagem da Grécia, da Irlanda, de Portugal e da Espanha para uma situação de défice foi um acidente? Dificilmente. O que aconteceu? A nível global, os credores são mais poderosos do que os devedores. A Alemanha controla mais ou menos o Banco Central. O desafio imediato que a zoa Euro enfrenta é o ajustamento: os países vulneráveis necessitam de atingir de novo o equilíbrio interno e externo: contas externas sustentáveis, finanças públicas sustentáveis e pleno emprego. Na zoa Euro, o papel de prestamista de última instância cabe ao BCE. Se o BCE conseguir estabilizar os mercados da dívida pública, os bacos centrais ficariam mais seguros, uma vez que deixa de haver preocupações de insolvência desses mesmos bancos.


domingo, 21 de junho de 2015

O DESEMPREGO: O FLAGELO DA ECONOMIA PORTUGUESA

 
O FMI e a Comissão Europeia, consideram o desemprego, o mais grave problema da economia portuguesa, e, a promoção do emprego o maior desafio. Vivemos desde o início do século XXI, os mais elevados níveis de desemprego da história recente da economia portuguesa. O número de pessoas empregadas está a diminuir em Portugal desde 2002 e a ligeira recuperação registada em 2014, é ainda instável. Entre 2002 e 2013, desapareceram 700mil empregos, 90% dos quais foram destruídos a partir de2008.
Os programas de ajustamento na sequência da crise das dívidas soberanas, traduziram -se em medidas de austeridade, que provocaram quedas acentuadas da atividade económica. Quando se compara a evolução do emprego desde 2002 nos quatro países como, Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, a dimensão da destruição de postos de trabalho em Portugal, chega a ser, ligeiramente mais significativa do que a registada na Grécia. O caso português, revela em termos comparativos com os outros países características únicas. Não tem recuperado o tempo perdido e iniciou um processo de postos de trabalho, bastante mais cedo do que a dos outros países. No caso destes, assistimos a um clássico boom, seguido de bust, um ciclo que caracteriza as atuais economias capitalistas, tendo Portugal uma implosão sem a respetiva explosão da atividade económica e emprego. No período de 2002 a 2008, a economia portuguesa cresceu em média a 1%, quando os outros países beneficiaram de aumentos médios do PIB de 3%.
Os postos de trabalho que desapareceram foram fundamentalmente nos jovens. Na agricultura caíram para quase 1/3, na construção regista -se uma quebra no emprego para cerca de metade e na indústria é um do setores onde mais emprego desaparece.
A pirâmide etária do emprego envelheceu. A destruição de postos de trabalho concentrou-se nas idades mais jovens, com quebras acentuadas de 60% para quem tem menos de 25 anos. Em contrapartida, os postos de trabalho ocupados, por quem tem mais de 35 anos, aumentou de tal forma, que três em cada quatro pessoas empregadas em 2014, pertenceram a esse escalão etário .O emprego qualificou-se e envelheceu. No desemprego estão os jovens e os menos qualificados. As razões da dimensão da subida do desemprego, estão longe de merecer consenso. De um lado, estão os que consideram que a destruição de postos de trabalho, teem as suas razões no excesso de austeridade, um choque recessivo elevado e concentrado no tempo, afundou a procura interna, para além do que seria necessário, acompanhado por uma acentuada redução na concessão de crédito. Por outro lado estão as avaliações do FMI e da Comissão Europeia. O FMI, numa 1ª análise ao desemprego, aponta algumas razões: uma, está relacionada com as alterações estruturais da economia portuguesa induzidas para reorientar a produção para as exportações. Por outro lado, a redução do consumo e da procura interna, em termos gerais, provocou uma atividade no setor de bens não transacionáveis, pelo  que desencadeou uma destruição de postos de trabalho nestes setores.  Recessões provocadas por crises financeiras, tendem a gerar mais desemprego, problema que se agrava em economias endividadas. A terapia de provocar um choque recessivo profundo, na expetativa de um país com um mercado dual, o Estado e as famílias com dívidas e um sistema financeiro também endividado, conjugam -se para aumentar o desemprego e a destruição de postos de trabalho para níveis históricos. Quanto mais as pessoas ficarem em situação de desemprego, mais difícil se torna o regresso ao mercado de trabalho e à recuperação económica. Além disso, a duração da crise, tende a desqualificar ainda mais a população ativa, por via da emigração, com os mais qualificados a procurarem emprego fora do seu país. A longa duração do desemprego é, identificada pelo FMI, como um dos fatores que pode limitar o crescimento nos países desenvolvidos, a par da falta de investimento e de envelhecimento da população.O que fazer para evitar que a própria recessão alimente uma estagnação secular por ter desqualificado as pessoas visivelmente mais jovens?
De um lado, há quem considere que a saída passa por aplicar rapidamente estímulos orçamentais, por via de projetos de investimento público. Do outro lado, estão as instituições internacionais, o FMI, que defendem um mercado de trabalho mais livre, com atuações do lado das qualificações e especialmente concentradas no combate ao desemprego jovem, exatamente aquele que pode criar mais constrangimentos ao crescimento futuro da economia. A perda de qualificações e a desmotivação dos jovens, reduzem o número de pessoas capazes de produzir e de investir. Podem criar um desfasamento entre os perfis que as empresas procuram e o que as pessoas são capazes de fazer. Em Portugal esse divórcio entre a procura e a oferta de trabalho tende a ser mais grave, uma vez que, a crise acelerou uma reestruturação da economia que poderia estar já em crescimento no início do século XXI.



quarta-feira, 3 de junho de 2015

CONJUNTURA DE CRESCIMENTO DE UMA ECONOMIA

A imagem do mundo está a mudar de tal modo que as economias são cada vez mais interdependentes. Vivemos num mundo cada vez mais multipolar. Muitos países podem partilhar os frutos do seu crescimento. As pessoas continuam a estar cada vez mais familiarizadas com o mundo como as coisas funcionam, uma vez que é nos seus próprios países que as leis são aprovadas e os impostos são pagos. Dado que a globalização existe a nível internacional, é importante saber que a economia mundial é crucial. De igual modo, as instituições e grupos mundiais baseiam-se no modo como são influenciados os pensamentos, atitudes e comportamentos. 
Como podemos garantir que essas instituições ajudam a economia mundial a crescer?
O processo é lento, mas é necessário assistir a novas mudanças, de modo a obtermos um melhor resultado global.
Quer se trate de países ricos ou pobres, há a necessidade de todos serem regidos pelas mesmas normas, aceitando alguns compromissos em termos de políticas internas.
Quais os benefícios do crescimento?
Os benefícios do crescimento estão relacionados com impostos, previdência social e emprego.
O fato da globalização ajudar a reduzir a desigualdade entre países, uma vez que os trabalhadores altamente especializados beneficiam da abertura de novos mercados, enquanto, os trabalhadores pouco especializados, competem com trabalhadores mais baratos nas economias emergentes nos seus países, aumenta a garantia de um crescimento económico que cria emprego  e salários adequados ao século XXI.
A economia é uma ciência social e complexa, onde estão implicados seres humanos, pelo que não podemos ter a certeza de obter o mesmo resultado se refletirmos sobre um crescimento económico nas mesmas circunstâncias. Embora o FMI, o Banco Mundial e a OMC, dominem a economia mundial, o grupo mais importante são as Nações Unidas.
O que significa tudo isto para a economia mundial? O processo é lento e podemos assistir a novas mudanças, de modo a podermos obter um melhor resultado global. Necessitamos de uma estrutura institucional certa, que resolva as questões mundiais fundamentais. Quanto mais credíveis forem as instituições, tanto mais eficazes podem ser. Se os países decidirem trabalhar juntos, tanto a nível regional, como mundial, teem de aceitar alguns compromissos em termos de políticas internas.
No futuro, as economias bem sucedidas serão aquelas que teem as seguintes diretrizes: adaptação, mudança e jogo  com os três C: CASH (dinheiro), COMMODOTIES (matérias -primas) ou CREATIVITY (criatividade) Isto é: teeem os recursos financeiros,, os recursos naturais ou o engenho humano e a capacidade  de progredir com políticas económicas sensatas.
Uma economia de acesso a ensino técnico, criativo e académico e , um ambiente de incentivo à inovação, um investimento interno elevado, e um forte crescimento sustentável, com grandes níveis de vida, são objetivos fundamentais de crescimento.
Em décadas futuras é provável que vejamos mais progressos na consecução de um sistema de previdência social ao século XXI. O fundamental é permitir que o mecanismo de mercado funcione, e o governo intervenha. Todos estes são aspetos vitais para a construção de um caminho forte e estável para o crescimento futuro. Assim, todos estes fatores poderão contribuir para um ambiente propício em que os indivíduos e as empresas possam gastar, poupar, investir e comercializar.
A necessidade de um equilíbrio económico, a garantia de mais pessoas terem a oportunidade de beneficiar dos frutos do crescimento, assim como a conjugação de um soft power e um hard power, contribuem para uma economia mundial em crescimento.

terça-feira, 24 de março de 2015

UMA EUROPA GRISALHA!

O envelhecimento da população na União Europeia, a baixa natalidade, que não garante a substituição de gerações, e as suas consequências, no que se refere à sustentabilidade do sistema de Segurança Social, contextualizam o atual cenário demográfico.
A Europa é um continente cada vez mais envelhecido devido a vários fatores:
1- A esperança média de vida aumentou significativamente, cerca de 83 anos na zona euro;
2- A diminuição da taxa de natalidade média nos países da União;
3- A diminuição da população ativa entre os 15 e os 64 anos de idade;
4-As fracas taxas de fecundidade;
5- A diminuição dos casamentos e o aumento de divórcios.
Tudo isto se explica pela alteração do estatuto social da mulher: as mulheres devido quer, a fatores económicos (necessidades dos agregados familiares), quer a fatores socio-culturais, relacionados com a evolução das sociedades, passam a estudar fora de casa, a ter uma carreira profissional, e, por isso, começam a ser mães muito tarde.. O tecido social modernizou -se, aproximando -se do padrão social dos países mais desenvolvidos. A gestão do tempo, ou seja: a conciliação da vida profissional e da vida pessoal passa a ser um dos grandes problemas que se colocam à sociedade. No caso português, isto é agravado pelo fato de existir uma percentagem muito diminuta de mulheres a trabalhar em tempo parcial, contrariamente ao que acontece nos países do norte da Europa, nos quais se verifica uma elevada percentagem de mulheres que trabalham neste regime, dedicando assim mais tempo à família.
Em Portugal,, a ausência de segurança no emprego,, a instabilidade, as dificuldades financeiras e a falta de perspetivas económicas mais favoráveis, condicionam a uma diminuição do número de nascimentos.
É necessário um down-grade económico e social para os casais voltarem a ter mais filhos?
Nas sociedades desenvolvidas, encontra -se assegurada a satisfação das necessidades mais elementares do homem, tais como a alimentação,habitação,segurança e mesmo sexualidade, enquanto comportamento inato, associado à reprodução, graças aos avanços tecnológicos, o que é algo controlável. A continuidade familiar é conseguida apenas com um filho. Mas, a sociedade não reúne condições para pensar globalmente, interiorizando que, para assegurar a renovação de gerações, seria necessário que cada casal tivesse mais de dois filhos.Ao longo destes últimos anos, diversos países europeus teem investido em políticas baseadas em incentivos de natureza financeira: benefícios fiscais, isenções e abonos.
As questões que se colocam são várias:
1- O abono de família garante o quê?
2- De que valem os incentivos fiscais, para quem não tem emprego?
3- De que servem os subsídios concedidos, por algumas autarquias, se não há condições socio-profissionais para a fixação dos jovens?
É necessário encarar a questão da natalidade como uma prioridade e tomar opções mais profundas. E, nesse sentido, importa desenvolver uma campanha de âmbito nacional para explicar aos portugueses a real situação do país nesta área, as consequências futuras deste problema; quer no que concerne à sustentabilidade do atual modelo de segurança social, quer mesmo, no que respeita à sustentabilidade do país, de modo a que esta questão seja interiorizada como um problema coletivo, que exige o envolvimento de todos na sua resolução.
Atualmente, acrescem diversos fatores que dizem respeito às características da vida urbana: enquanto nas aldeias do passado se permitia às crianças a deslocação a pé para a escola e a permanência com os avós, na vida citadina, essas relações de proximidade deixaram de existir.É necessário recorrer a outro tipo de apoios para os filhos em idade escolar. O Centro de Atividades de Tempos Livres (ATL) são alguns desses apoios, com todos os custos financeiros que implicam, sendo a solução dos casais adiar ter filhos.
Por outro lado, as pessoas com uma idade fértil, na faixa etária dos 30 a 50 anos, com uma boa formação académica e experiência profissional, regista elevados índices de desemprego, não conseguindo a estabilidade e as condições necessárias ao aumento da natalidade.
Quais as propostas de solução para um problema nacional que tem como consequências significativas a substituição de gerações e a inerente sustentabilidade do sistema de segurança social?
Nas últimas décadas, foram incentivadas, na generalidade dos países europeus, políticas de antecipação da idade da reforma, o que permitiu controlar o desemprego entre os mais jovens.. As saídas na meia -idade aumentaram significativamente, o que foi positivo para fomentar o emprego dos mais jovens.
Qual a relação entre demografia e solidariedade intergeracional?
Existirá um momento na vida profissional em que os mais velhos teem a possibilidade de se retirar gradualmente. Estes que estão em cessação de funções irão abdicar de uma parcela do seu rendimento, sendo assim uma medida de combate ao desemprego jovem. O trabalhador sénior não deverá ser penalizado em relação aos anos em que aceita baixar o seu rendimento, suportando o Estado esse diferencial. O Estado e a sociedade ganhariam com a redução dos subsídios de desemprego e com o custo de oportunidade que constituiu a migração dos jovens.
Em jeito de conclusão, mais do que o envelhecimento da população que é um fenómeno natural no mundo desenvolvido, um sinal da evolução da sociedade, da melhoria da qualidade de vida, dos cuidados de saúde  e  a baixa natalidade ,constitui hoje o principal problema demográfico de qualquer país europeu.

quinta-feira, 12 de março de 2015

MAIS OU MENOS INTEGRAÇÃO EUROPEIA?

Os vínculos onde assenta uma união monetária, não devem ser tomados como garantidos. Os membros da União Monetária, abdicaram do poder de ajustar as taxas de juro e, de desvalorizar a respetiva divisa. Em troca, cada membro deverá beneficiar de apoio por parte dos restantes membros em caso de necessidade. Uma União Monetária não estreitamente integrada e desprovida de um orçamento central substancial, fica limitada da capacidade para apoiar membros em dificuldades. Essas uniões carecem de flexibilidade orçamental necessária para compensar a inflexibilidade monetária. Estas uniões necessitam para sobreviver de fortalecer os alicerces precisando os países de se unirem mais.
O reforço de integração da Eurozona não será fácil. É muito difícil ultrapassar politicamente a debilidade estrutural inerente ao desenho original do euro. O economista Mundell, na sua obra, procurou definir em que condições os países beneficiarão economicamente da adoção de uma moeda comum e da constituição de uma união monetária. A grande vantagem duma união deste tipo é evidente:
1- Ajudar os países ou estados a reduzirem os custos de transações e a promover o comércio. Comprar ou vender um relógio Cartier ou uma embalagem de biscoitos italianos torna -se mais fácil, quando toda a gente usa as mesmas notas. Acresce que os mercados financeiros comuns, maiores e mais desenvolvidos, tendem a ser mais eficazes, do que aqueles que não teem liquidez.Quando os líderes políticos começaram a fazer campanha pelo euro, esse era o principal argumento económico em sua defesa. O comércio na Europa passaria a ser tão simples, como uma transação entre um nova -iorquino e um habitante de Boston.
Quando um determinado país sofre um impacto de um choque económico negativo, tem um custo relacionado com as taxas de juro e cambiais fixas, caso não exista outro mecanismo de compensação.
A economia fica impossibilitada de se adaptar tão rapidamente como poderia, caso tivesse autonomia para flexibilizar a política económica. À luz dos custos - benefícios económicos, uma união monetária será ótima se, os benefícios dos mais baixos custos de transações, compensarem os custos associados à menor flexibilidade de ajustamento perante choques. Contudo, importa sublinhar, que os custos e os benefícios evoluirão em paralelo com uma economia aperfeiçoada.Sob o ponto de vista histórico constata -se que :
- as uniões monetárias , bem sucedidas, são, em geral, estreitamente integradas, económica, política e institucional. Quando uma delas atravessa uma fase de instabilidade interna, as coisas resumem -se tipicamente, a uma opção entre reforço de integração ou de alguma forma de colapso. É  de salientar que a possibilidade de uma maior integração depende da situação política. Na ausência de uma união política, uma integração consistente, pode ser impossível. A Eurozona já deu ps primeiros passos para  coesão da união monetária. Acima de tudo, o BCE assumiu uma posição de maior força.Um orçamento federal, que possa proceder a transferências no seio da união monetária, poderá ajudar a atenuar os custos da inflexibilidade monetária. Uma maior integração, sob a forma de um orçamento federal maior, poderá otimizar a união monetária em sentido macroeconómico.Contudo, a viabilidade de tais mudanças, depende da vontade política dos países independentes de cederem soberania, em benefício da União.
O dilema crucial da Europa assentava numa ajuda ambiciosa de reforço da integração da Eurozona.
No futuro, a Europa seria dotada de uma união bancária, que se traduziria na supervisão central de todos os bancos da Eurozona e num esquema com garantia de depósitos, ou seja: um orçamento comum da Eurozona com capacidade para auxiliar países com dificuldades.Os membros da Eurozona ficariam também unidos numa forte união económica, que implicaria uma mais estreita coordenação de todas as economias deste setor e mais poderes de controlo central das decisões locais relativas à despesa. Além disso, os países da Eurozona, caminham para alguma forma de união política, nomeadamente, para a eleição direta dos seus responsáveis.Os líderes políticos nestas circunstâncias, optaram por continuar o processo de integração.
Relativamente à união bancária, o plano consistiu na criação de um sistema bancário comum que assentou em três pilares:
1- Incorporaria um mecanismo comum de supervisão bancária com competência alargada a toda a Eurozona, devendo ser harmonizado o sistema persistente de regulações nacionais potencialmente contraditórias;
2- Assentaria no fecho de bancos insolventes;
3- Os bancos da Eurozona seriam apoiados por um esquema de garantia de depósitos, tendo a intenção de reequilibrar a atividade bancária da Eurozona, e proteger de perdas os depositantes.
Com a adoção destes três componentes, os países mais fracos e com bancos em dificuldades passam, a poder de beneficiar de apoios por parte do resto da União.
Para completar a união monetária é necessário mais integração. E, para criar uma união monetária estável, sem grandes problemas internos, é indispensável uma maior partilha de recursos. Um orçamento comum da Eurozona, as eurobonds e uma garantia comum de depósitos são fatores chave para proporcionar transferências para as regiões mais fracas.O maior desafio que se coloca é o de uma maior partilha de recursos, e, o reforço da integração europeia que pressupõe a convergência de vontades de todos os países da União.
Necessitamos de um euro alicerçado em instituições com poderes reforçados, a fim de se poder enfrentar as crises regionais com as debilidades económicas específicas de determinado país.
A zona euro tem necessidade de se dotar de ma capacidade orçamental com as seguintes estruturas:
- A zona euro deverá ser um fundo de seguro económico, para apoiar o orçamento nacional, funcionando como um instrumento, para reduzir uma grande quebra no PIB, protegendo os Estados que fossem objeto de um choque assimétrico;
-A zona euro deveria ter um seguro europeu de desemprego, porque, quando um país é submetido a um choque, pode ter um acréscimo de despesas sociais significativas,por causa do aumento do desemprego, necessitando de um complemento europeu. Isso requer por parte dos Estados- membros um certo esforço de convergência,na forma como gerem o mercado de trabalho;
- A zona euro também necessita de um fundo de apoio à convergência estrutural que se centra em apoiar financeiramente a sua competitividade, desde que se comprometesse com um determinado tipo de reformas ou investimentos. Digamos que seria necessário um "New Deal Europeu" ou seja, um compromisso segundo o qual os países teriam de fazer o seu trabalho de reequilíbrio orçamental e de reformas para aumentar o seu crescimento. Seriam criados instrumentos europeus de proteção financeira, como a união bancária, de coordenação económica para o crescimento, bem como, uma garantia social para os mais desfavorecidos.
Para isso ser possível, necessitamos de um instrumento de capacidade orçamental.
A questão central é que a Europa tem de voltar a crescer e para isso, tem de investir.Contudo a Europa está dividida entre países com situações completamente diferentes e muitos dos países não teem condições equivalentes para investir.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

QUANTITATIVE EASING DO BCE

O primeiro passo para disparar o Quantitative easing (QE) é imprimir dinheiro. É um processo elétrónico. Os bancos centrais criam novo dinheiro aumentando automaticamente o seu balanço através da compra de ativos como dívida pública. No caso do QE europeu os 19 bancos centrais da Zona Euro ficarão responsáveis pela compra desses títulos. Por outro lado, os bancos comerciais aceitam vender os seus títulos de dívida e recebem em troca dinheiro acabado de criar. Com essa transação libertam recursos que podem utilizar de várias formas, existindo três caminhos principais: comprar outros ativos, como ações, dar mais crédito às famílias ou dar mais crédito às empresas. O caminho mais certo, passa por usar esse dinheiro para ceder mais crédito às empresas, idealmente a condições mais favoráveis. As empresas utilizariam esse financiamento para acelerar a recuperação do investimento.
A desvalorização do euro ajudará as empresas exportadoras europeias a vender mais, ficando as compras ao exterior mais caras.
Os bancos podem optar por conceder crédito ás famílias, em vez de doarem mais empréstimos a empresas interessadas em investir. Este caminho também ajuda a economia e a inflação, mas não é o mais desejável para países dependentes do consumo privado, ou com famílias muito endividadas. Ora mais investimento e mais consumo dão uma ajuda significativa ao crescimento da economia. As empresas aumentam as vendas e ganham margem para aumentar a produção ou para investir ainda mais.
A teoria económica do QE passa pelos seguintes passos:
1- A quebra na procura - inflação baixa- é sinal de que não há dinheiro suficiente na economia real. Assim, o BCE,vai comprar títulos da dívida pública com novo dinheiro;
2- As compras do BCE  vão ter como ator alvo, títulos que já estão nas mãos dos privados - bancos, seguradoras, fundos de pensões e até empresas não financeiras. Ao fazê -lo, os preços dos títulos sobem - mais procura - reduzindo os lucros potenciais dos mercados, ficando menos atrativos.
3- Com menos lucro potencial nestes títulos, os detentores dos mesmos perdem algum incentivo para manter estes investimentos, redirecionando o seu capital para outro tipo de ativos (ações, obrigações), mais poupança ou aumentos de capital de bancos.
4- Ao haver esta libertação de recursos aplicados em dívida pública, em especial nos bancos, estes recuperam capacidade de financiamento à economia, o que na teoria resultará em créditos à economia real - empresas e famílias- a juros mais baixos. Além disso há ainda o potencial crescimento das poupanças que também reforçarão os capitais que a banca pode emprestar.
O BCE tem como objetivo o seguinte: se os juros estão mais baixos e há mais dinheiro disponível para investir, haverá também maior disponibilidade para a criação de emprego, melhorias salariais e até redução nos custos de endividamento.
Será que o programa do BCE se traduz em crescimento económico?
 A compra de obrigações soberanas, taxas de juro mais baixas, euro mais fraco, queda do preço do petróleo ,teem consequências benéficas para Portugal, nomeadamente, uma maior confiança na economia, um aumento de investimento, redução das taxas de juro no mercado de crédito, exportações impulsionadas pelo euro mais fraco e pela melhoria da situação de outros países europeus, serão boas notícias.
Continua a ser urgente tornar o mercado português atrativo para as empresas nacionais e ajudar a que estas se dotem de capacidade de governação e transparência e reporte necessários à sua essencial admissão ao mercado.
O mercado único de capitais terá um impacto positivo no crescimento das empresas e na criação de mais emprego, tornando a Europa numa economia mais competitiva a nível mundial
Os objetivos do mercado único de capitais estão bem definidos:
1. A Comissão Europeia pretende que deixem de existir barreiras na obtenção de financiamento noutros países da Europa;
2. Acabando com as barreiras que existem ao financiamento além - fronteiras, a meta será de que todas as empresas dos países membros consigam ter acesso ao crédito de que necessitam;
3. Com o mercado único de capitais a funcionar, as empresas poderão passar a recorrer ao mercado únco, para obterem financiamento. Deixam assim, de estar tão dependentes do financiamento, através do setor financeiro, podendo ainda beneficiar de custos mais baixos.
4. Com empresas a financiarem -se mais facilmente, e também com custos inferiores, estas poderão acelerar o seu crescimento, e, neste sentido, fomentar o crescimento da economia e criar mais emprego na Europa.
5. Com as empresas a terem porta aberta a financiamento nos mercados, as PME, poderão também vir a ter um acesso mais fácil ao crédito.
6. Com o mercado único, a Comissão Europeia acredita que será mais fácil para a União Europeia atrair mais investimento do Resto do Mundo e tornar-se mais competitiva.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DESVALORIZAÇÃO DO EURO

Um dos efeitos mais imediatos da desvalorização do  euro é o estímulo às exportações: os bens e serviços produzidos internamente tornam -se mais baratos, quando os seus preços são expressos em moeda estrangeira.Desta forma, sem haver qualquer alteração na produção ou ganhos de produtividade, as empresas ganham competitividade porque chegam ao mercado a um preço mais baixo. A taxa de câmbio efetiva, que pondera as variações cambiais, com base nos parceiros comerciais, demonstram bem, como os produtos da zona euro e de Portugal, ganham competitividade nos últimos tempos. A taxa efetiva tem caído em ambos os casos, o que significa que as exportações estão mais baratas. No caso das economias de moeda única, como Portugal, este efeito é visível, quer nas vendas para fora da zona euro, quer nas próprias exportações para parceiros da União Monetária. Não só os produtos portugueses se tornam mais baratos, quando chegam ao mercado mundial, como também, são mais competitivos, quando concorrem no mercado interno com produtos que vêem do exterior.Apenas não há ganhos entre países da zona euro, já que todos partilham a mesma moeda, o que dificulta a correcção dos desequilíbrios existentes.
O efeito do lado das importações é o simétrico dos ganhos conseguidos em termos de competitividade. Uma moeda única menos "valiosa" no mercado cambial, significa que o valor do dinheiro das empresas e das famílias da zona euro no exterior é menor: seja para fazer compras ou para passar férias noutros países,ou ainda para adquirir produtos importados do exterior que chegam ao mercado interno mais caros. Trata -se na prática de um empobrecimento relativo face ao exterior. Uma das consequências nas importações, entre muitos outros, é que atenua em empobrecimento relativo face ao exterior: uma das consequências nas importações entre muitas outras, é que atenua o impacto da descida do preço do petróleo, embora este seja de tal forma significativo, que ultrapassa a depreciação do euro. Para as famílias, uma desvalorização cambial, representa perda do poder de compra. Por exemplo, ir à Suíça nos dias qe correm, depois do Banco Central suíço ter acabado com o teto máximo para o franco, pode tornar -se muito dispendioso. No caso das empresas, o impacto do encarecimento das importações depende de cada caso concreto. As empresas que produzem bens transaccionáveis- que podem ser exportados ou que concorrem com bens importados cá dentro- são beneficiadas em termos de competitividade. Mas aquelas, que necessitam de importar máquinas ou matérias - primas, podem ser afetadas negativamente em termos de custos.Por outro lado, as empresas com um peso relevante da energia na sua estrutura de custos, em particular o petróleo, como se trata de um bem importado, a desvalorização  do euro tende a prejudicar essas empresas que não têm alternativa para o substituir e são obrigadas a sofrer o impacto do preço.Com a queda abrupta do preço do petróleo, esse efeito poderá ser grave em alguns momentos. Da mesma forma, eventuais aquisições ou investimento no exterior, são realizados a partir de uma posição de partida menos favorável.Para algumas economias da zona euro com maiores défices em relação ao exterior, o travão  às importações pode ajudar a reequilibrar as contas externas. Portugal é um desses casos ainda que esse efeito seja limitado, pelo facto de uma parte significativa das trocas comerciais ser realizada dentro da zona euro.
Também a grande ameaça à economia da zona euro é a deflação, ou seja uma descida prolongada e duradoura dos preços com consequências drásticas para as empresas e para as famílias. A desvalorização do euro ajuda a travar a descida dos preços, porque torna as importações mais caras, nomeadamente o preço do crude, cuja queda tem ajudado a  aumentar a taxa de inflação.A mesmo tempo, os ganhos de competitividade e de exportações que venham a ocorrer, tendem a engordar os lucros das empresas pelo que acaba por animar a procura agregada da economia. Embora não seja suficiente, é mais um factor a contribuir para travar o risco de deflação que é a grande preocupação do BCE. O petróleo tem tido um papel importante na queda dos preços,mas mesmo eliminando este efeito, o cenário continua preocupante. A inflação apesar de positiva, desceu e está longe da meta do BCE.
Nas contas do PIB, as exportações entram com sinal positivo e as importações com sinal negativo. As exportações fazem crescer a economia, porque representam um aumento da procura, uma vez que as empresas vendem para o exterior, além do que já vendem em casa As importações, pelo contrário, descontam ao PIB, porque são o espelho do consumo ou do investimento. Em termos concretos, se uma empresa vai poder vender mais, o que a procura internacional dirigida aos seus produtos aumentou, tende a aumentar a produção e isso traduz-se num maior nível de emprego.
A desvalorização do euro tem coisas boas e más. Uma delas é o facto de limitar os ganhos para a economia europeia da queda do preço do petróleo nos mercados internacionais, ainda que a descida do barril continue a ser significativa, mesmo quando medida em euros.
A evolução dos preços vai depender muito do preço do petróleo e também da situação europeia com impacto no programa do BCE.