terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO EM PORTUGAL: ALGUMAS REFLEXÕES

Os portugueses não investem porque não têm confiança, ou porque não querem arriscar. Por mais que se afirme e mostre que não é por baixar sistematicamente os impostos sobre os lucros, que aumenta o investimento (pelo menos, o investimento com efeitos duradouros no crescimento económico e no emprego), basta que um representante de uma multinacional, sugira que a "sua" empresa decidiu não investir em Portugal, por motivos fiscais, para que se generalize a ideia de que é preciso baixar os impostos sobre os lucros. O resultado é quase sempre o mesmo: os impostos sobre os lucros baixam, a desigualdade na distribuição do rendimento aumenta e a economia não cresce. Portugal tem um problema de crescimento económico. A causa é a ausência de competitividade. Um dos obstáculos ao aumento de competitividade das empresas portuguesas é a rigidez do mercado de trabalho. O resultado desta realidade está à vista de todos: uma fraca subida do produto que tem levado ao empobrecimento do país, face à média europeia. É um facto que o fraco crescimento da economia  portuguesa, deve-se antes de mais, à escassez da procura agregada, para a qual contribui em larga medida, o escasso investimento público que se tem verificado em Portugal. No entanto, Portugal, ainda tem custos laborais muito interessantes, comparando com os países vizinhos . Em segundo lugar, oferece mão-de-obra qualificada, e, também o governo dá um sinal claro de como está interessado no investimento externo.
Quais as conclusões a tirar?
1- A ideia de que é preciso baixar salários para promover a competitividade da economia é sistematicamente desmentida por quem tem a possibilidade de decidir onde localizar os seus investimentos, a nível internacional;
2- Parecem já existir focos de competência do capital humano em alguns segmentos do mercado de trabalho, que deveriam ser devidamente considerados nos discursos generalistas e pouco rigorosos acerca das debilidades das qualificações dos portugueses;
3- Os investidores estrangeiros em Portugal, dão frequentes sinais de satisfação sobre o tratamento que recebem das autoridades públicas em Portugal.
Há razões para pensarmos que os benefícios muitas vezes anunciados não são tão certos quanto isso.
A recentemente anunciada iniciativa para a competitividade e o emprego, sugere que a baixa competitividade da economia portuguesa, encontra as suas raízes estruturais no funcionamento do mercado de trabalho, ou na "burocracia".
Os problemas de competitividade que a economia enfrenta, refletem-se no peso das exportações que têm no PIB. A intensidade das exportações, tende a ser inversamente relacionada com a dimensão de um país. Nos países de maior dimensão, por terem um mercado interno mais alargado, o peso das exportações no PIB, é mais diminuto. Pelo contrário, quanto mais pequenos forem os países, maior tende a ser a intensidade das exportações.
Se, tal não acontece, as notícias não podem ser boas: normalmente, isso significa que o crescimento da economia, está fortemente limitado, pela dimensão do mercado interno. Portugal, sendo um país de dimensão média no contexto da União Europeia, tem uma intensidade típica de um país de grandes dimensões. No início da década de 60, o peso das exportações no PIB português, era pouco superior a 10%. A adesão à EFTA, elevou as exportações  para cerca de 20% do PIB. Com a adesão à CEE, o peso das exportações passou para perto de 30% do PIB, mantendo-se este valor inalterado desde 1990. Esta estagnação contrasta com outros países europeus de dimensões semelhantes,( como a Suécia, a Áustria, a República Checa e a Hungria), que se encontravam então em patamares semelhantes, mas onde o peso das exportações no PIB, cresceu de forma contínua. 
Quais as condições criadas em toda a década de 90, para incentivar o desenvolvimento dos setores não exportadores em Portugal?
1- A obsessão com as autoestradas assegurou a lucratividade do setor da construção e obras públicas;
2- A queda abrupta das taxas de juro, acentuou o impulso aos setores da construção e do imobiliário;
3- O crédito ao consumo, associado a um aumento dos rendimentos médios e a uma politica favorável à expansão das grandes superfícies, conduziu ao forte crescimento da grande distribuição;
4- As privatizações centradas em empresas quase monopolísticas em setores relativamente protegidos, atraíram os capitais da burguesia nacional para empresas que viviam essencialmente do mercado interno, (EDP, GALP, PT, BRISA).
5- As estratégias de politica industrial, assente na promoção das empresas privatizadas, que se alimentam do mercado interno ( e que pouco exportam), visando criar grupos económicos de dimensão internacional, traduzem-se frequentemente em condições desfavoráveis para os setores transacionáveis.
6- Aproveitando a liberalização financeira, as privatizações e a explosão imobiliária, o sistema financeiro canalizou uma parte crescente dos seus recursos para o financiamento de setores produtores de bens e serviços não-transacionáveis (onde os níveis de risco são reduzidos), e para as aplicações financeiras (onde os retornos potenciais em períodos especulativos são elevados), desviando o crédito dos setores transacionáveis.
7- Finalmente, a convergência nominal para moeda única, significou uma sobrevalorização cambial, que desincentivou o investimento em setores exportadores.
Neste século XXI, a abertura comercial da União Europeia à China, o alagamento a Leste, a apreciação do euro face ao dólar e o aumento dos preços de petróleo, deterioram ainda mais a capacidade competitiva da economia como a nossa.
Dito isto, a prioridade atribuída pela Iniciativa para a Competitividade  o Emprego aos setores transacionáveis, vem com 20 anos de atraso. Mas produzirá efeitos se:
- Ao nível da UE, forem tomadas medidas que favoreçam a recuperação da competitividade das economias mais expostas à concorrência dos países emergentes, nomeadamente apoios à transformação estrutural e permissão de auxílios de Estado aos setores exportadores.
- O sistema financeiro apoiar o desenvolvimento do setor exportador;
- Pôr fim à captura do Estado português pelos interesses dos grupos económicos atualmente dominantes.
Será que a desindustrialização não é um fenómeno português?
A perda do peso da indústria transformadora no emprego, no produto, ou nas exportações constitui uma tendência observável na generalidade dos países desenvolvidos, nas últimas quatro décadas. É possível verificar que a posição relativa de Portugal, no que respeita ao peso da indústria transformadora, no PIB, não se acelerou entre 1970 e 2010. No que respeita este indicador, Portugal apresenta atualmente valores que não se afastam da média da Zona Euro. É um facto que a desindustrialização é uma característica do regime neoliberal: a desindustrialização observada nas economias mais avançadas é, em larga medida, um resultado da globalização neoliberal.
A liberalização dos movimentos internacionais de mercadorias e capitais, pôs em causa a lucratividade dos investimentos em atividades mais expostas à concorrência internacional. Por um lado, aumentou o grau de exposição dos produtores de bens e serviços transacionáveis à concorrência internacional, pressionando as margens de lucro.
 Por outro lado, embora a capacidade produtiva, instalada aumentasse de forma substancial, o crescimento da procura mundial, ficou comprometido por uma pressão crescente sobre os salários, face à crescente facilidade de movimentação dos capitais, a nível global.
 Por conseguinte, os investidores procuraram novas fontes de aplicação de recursos, menos vulneráveis à pressão concorrencial, enfrentada pelos bens e serviços transacionados nos mercados globais.
 Para além dos serviços e infraestruturas com procura garantida pelo Estado, agora privatizados, os investidores globais foram canalizando os seus investimentos de forma crescente para ativos financeiros e não-financeiros, beneficiando da liberalização de capitais, da desregulação dos sistemas financeiros, bem como, das possibilidades oferecidas pelas tecnologias de informação.
Será que a desindustrialização é um fenómeno negativo?
Há que ter presente, que muitas das atividades de serviços que eram desempenhadas anteriormente no seio das empresas industriais, foram automatizadas, passando a ser contabilizadas como "serviços" e não como "indústria .O aumento do peso dos serviços reflete também a emergência de uma grande variedade de setores ligados às novas tecnologias de informação, onde as componentes de software e serviços são dominantes, em termos de emprego e de valor acrescentado.
É  de considerar que a redução do peso da indústria é uma consequência expectável e desejável do aumento do nível das populações.
 Por exemplo, nas sociedades mais ricas, as famílias dedicam uma maior parte dos seus rendimentos, à cultura, à educação e ao lazer, o que tipicamente se traduz num maior crescimento dos serviços, face às atividades produtoras de bens materiais.
 A desindustrialização em Portugal é indissociável do processo de integração na União Europeia. Podendo a desindustrialização ser determinada pelos vários tipos de fatores, no caso português, esta tendência está fortemente associada ao processo de integração europeia e às opções de modelo económico associadas. Nos finais da década de 80, a preparação da União Económica e Monetária, assente na prioridade atribuída à estabilidade cambial, no seio da União Europeia, favoreceu uma valorização do escudo, em termos reais face às moedas dos principais parceiros comerciais, dificultando a competitividade da indústria portuguesa. No mesmo período, a evolução da economia portuguesa, foi marcada pela liberalização do setor financeiro e pela sua privatização. O resultado imediato, foi uma expansão do setor financeiro em Portugal, da oferta de crédito e de outros produtos financeiros, na economia portuguesa, que favoreceram direta ou indiretamente a expansão dos setores não-transacionáveis. No período seguinte à criação do euro, a indústria portuguesa confrontou-se com três choques significativos: os acordos comerciais entre a União Europeia e a China, o alargamento da União Europeia a Leste e a forte apreciação do euro face ao dólar. Estes fatores, explicam a perda acentuada do peso da indústria portuguesa na economia nacional. 
Em jeito de conclusão, a reindustrialização faz pouco sentido como objetivo central da politica de desenvolvimento.
Mas então porquê a reindustrialização?
Porque, Portugal apresenta um défice comercial significativo, ao qual se atribuem as dificuldades presentes da economia portuguesa; sendo os bens industriais, responsáveis por quase 3/4 das exportações portuguesas, reforçar a indústria é uma opção óbvia.

domingo, 29 de janeiro de 2017

A CRISE NA EUROPA

Os governos da Zona Euro estão a ser incapazes de encontrar uma solução para a crise financeira. Tudo aponta para que a estratégia dominante seja a do "cada um por si". Pela primeira vez, em muitos anos, discute-se por todo o lado, se as poupanças que as pessoas têm no banco estão seguras. Quando o ambiente é este, estamos a um passo de uma corrida aos bancos, o que seria o início de uma crise económica muito grave.
 Há várias razões pelas quais a União Europeia deveria estar a agir concertadamente nesta fase:  Primeiro, num mercado de capitais altamente integrado, como é o europeu, qualquer crise nacional, ou até local, arrastará atrás de si as restantes economias; Segundo, quanto mais integrados são os mercados, maiores são os perigos associados à competição entre governos nacionais, na tentativa de fugir à crise; Terceiro, há muitas instituições financeiras que têm ramificações em vários países, exigindo a cooperação ativa, e a solidariedade de várias autoridades nacionais; Quarto, algumas instituições financeiras potencialmente em risco, são demasiado grandes para serem socorridas por um só Estado; Quinto, uma ação concertada seria muto mais eficaz na gestão das expetativas do que várias iniciativas nacionais.
Nunca antes foi claro como agora, o risco de criar uma União Económica e Monetária, sem precaver a necessidade de construir uma arquitetura sólida de gestão macroeconómica, ao nível da União Europeia.
Liberalizaram-se os mercados de capitais; aligeirou-se a regulação nacional, sem a devida compensação a nível continental; retirou-se o espaço de manobra dos governos nacionais, sem a devida compensação a nível continental; sem se criarem mecanismos de ajustamento a nível europeu; criou-se uma autoridade monetária totalmente independente, com uma vocação autista para o controlo da inflação e que sente necessidade de se mostrar aina mais ortodoxa, sempre que uma redução das taxas de juro se torna evidente.
Em plena crise económica, dada a incerteza sobre o futuro, os agentes privados, tendem a adiar as suas decisões de investimento e consumo, o que reduz a procura agregada na economia. Mas menos procura, significa também menos produção, o que implica menos emprego, menos salários, e menos lucros. Isto atrofia ainda mais  procura agregada, envolvendo as economias numa espiral recessiva, com custos económicos e sociais graves.
Ora em contextos como este, o Estado deve tomar a iniciativa, estimulando a procura agregada, através do investimento público e das despesas correntes.
 Por outras palavras, os governos europeus deveriam estar já a prevenir a espiral descendente que, se anuncia, pondo em ação um vasto programa de investimento e consumo públicos.
Acontece que algumas economias europeias foram apanhadas pela crise, com desequilíbrios macroeconómicos significativos, nomeadamente com dívidas externas avultadas. Aumentar as despesa públicas, nestas condições, tem por consequência o risco de deteriorar aina mais a dívida externa( parte dos investimentos públicos), o que implica a aquisição de bens e serviços no exterior, e prejudica a balança comercial. Para este países, a tentação do free- riding, é demasiado grande.
 A lógica que tendem a adotar, é deixarmos os outros governos aumentar os seus défices, que as novas exportações beneficiarão com isso(melhorando o défice externo), sem termos de aumentar a dívida pública.
O problema, é que, se muitos governos adotarem essa atitude, o nível da procura agregada, no conjunto da União Europeia, poderá ser insuficiente para evitar uma crise privilegiada.
Alguns dos países que poderiam dar que poderiam dar um maior contributo para retoma, sem riscos para o seu equilíbrio macroeconómico, recusam-se a desempenhar o papel de perdulários. O resultado
é que a crise se generaliza, o investimento escasseia, o consumo também, caem as exportações em todo o lado, e, com isto aumenta o desemprego. Deterioram-se ainda mais as contas públicas e prolonga-se a recessão. A solução para este tipo de problema só poderia ser um: atribuir às instituições europeias a possibilidade de endividamento e de gestão supranacional da crise, tendo em conta, as diferentes situações nacionais, e tirando partido de todos os instrumentos de politica económica que um Estado soberano deve ter.
Segundo, pode-se ler no Programa Nacional do Ano Europeu de Combate à Pobreza  "os atuais níveis de pobreza e de desigualdades são inaceitáveis e o empenho da União Europeia na solidariedade, na justiça social e no aumento da coesão, são os meios para conseguir um impacto decisivo, no sentido da erradicação da pobreza e da igualdade de oportunidades.
Quase metade dos desempregados em Portugal, não recebe subsídio de desemprego. O afastamento prolongado da atividade laboral( que atinge valores particularmente elevados no nosso país) contribui para a perda de competências e, em muitos casos, produz efeitos negativos a prazo, nos restantes elementos do agregado familiar( por exemplo, contribuindo para o abandono escolar dos filhos).
Com o desemprego a aumentar de forma preocupante, um dos grandes contributos que a comissão responsável pelo Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social, poderá dar ao país, é o de alertar para a necessidade de ter este problema no topo das políticas públicas.
É certo, que o facto dos juros serem baixos, leva a um endividamento insustentável das famílias. Os produtores locais não se dão ao trabalho de procurar mercados externos, preferem viver da procura local. A evasão fiscal é enorme. Por outro lado, a sobrevalorização do euro, juntou-se a uma politica comercial europeia que abriu os mercados externos às economias emergentes, prejudicando os setores mais tradicionais( que dominam as economias das periferias), para obter como contrapartida, o acesso das exportações de bens intensivos em capital( que dominam as economias mais avançadas), aos apetecíveis mercados emergentes. Poucos referem também, o impacto que a promoção do mercado interno de serviços financeiros, e a liberalização dos fluxos de capital, tiveram sobre a facilidade de fuga ao pagamento de impostos, de alguns setores das sociedades europeias.
Os problemas de competitividade da economia portuguesa são variados: uns mais estruturais e antigos ( baixas qualificações de dirigentes e trabalhadores, fraco investimento em I&D empresarial, padrão de especialização assente em setores pouco intensivos em conhecimento e fortemente expostos à concorrência de países de baixos salários e posição periférica da economia portuguesa, face aos mercados de consumo mais dinâmicos.
 Qual o caminho de saída da crise em que se vive? Planos de consolidação orçamental faseados, que deem prioridade a curto prazo ao relançamento das economias.
Conclusão: a crise deve-se à decisão de submeter economias com estruturas muito distintas às mesmas regras e às mesmas politicas.
É de salientar duas ideias fundamentais da crise europeia:
Primeiro, a crise das dívidas soberanas está fortemente associada à acumulação da dívida externa;
Segundo, a acumulação da dívida externa, está por sua vez, fortemente associada à estrutura produtiva inicial de cada país.
Entre os países europeus houve uns que beneficiaram mais do que outros, da forma como a União Europeia se expôs à globalização de economias produtoras de bens e serviços, que são menos produzidos, e, mais procurados pelas economias emergentes (máquinas para a indústria, equipamentos de transporte etc?, beneficiaram em termos líquidos com os acordos produtores de bens mais expostos à concorrência das economias emergentes, como sejam os têxteis, o vestuário ou o calçado), não só passarem a enfrentar mais concorrência, como foram penalizados pela forte apreciação do euro face ao dólar(cujas implicações em termos de competitividade são mais relevantes, no caso de produtos menos sofisticados.
As regras da União Europeia servem os interesses de alguns, mas não servem os interesses de todos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A TERCEIRA VAGA DA INTERNET E A INDÚSTRIA 4.0


Um novo horizonte está a formar-se sobre a atual globalização, sendo já visível o início de ensaios de mudanças do seu habitual espaço e domínio conquistado pelos efeitos de projeções diferentes em novas políticas nacionalistas, sociais, segurança dos cidadãos e bens, assim como protecionismo nas economias.
Em expectável contraciclo, a internet está a movimentar-se com novas fronteiras, com novos desafios a que se chama Terceira Vaga, ou seja, a Internet das Coisas. Com a chamada primeira vaga tivemos a própria construção da internet; já com a segunda vaga tivemos a revolução pelos telemóveis e a economia APP ( das aplicações móveis).
Caminhamos hoje sobre uma exploração ilimitada desta terceira vaga que se traduz numa conectividade universal que permite operar transformações e mudanças em setores-chave das economias por novos paradigmas no mundo, em que cada um de nós participa e é ator principal nessa transformação.
Não deixa de provocar também reflexão, pela dúvida que desencadeia, a continuidade de processos antigos ou atuais, pela instabilidade desta evolução, quer ao nível do comportamento dos consumos pelos cidadãos, quer pelas empresas, instituições e governos nos seus procedimentos.
Por muito distraídos que possamos andar, os avanços tecnológicos com a digitalização e alta automação consequente, com os novos formatos da economia, já transformaram e continuarão a transformar significativamente o nosso estilo de vida, quer individual, quer coletivo.
Se foi definida como terceira vaga pela conectividade total e universal, a internet, de hoje, é usada e aplicada como principal suporte à indústria 4.0, gerando-se ima estreita ligação que vai ser responsável a partir de agora por crescimentos económicos mais notáveis nas economias estruturadas.
Relevarmos novamente aqui o tema indústria 4.0 permite-nos, neste contexto desta ligação, alertar para o que de potencial existe para grades transformações a favor de um crescimento económico mais significativo e ao mesmo tempo em ambiente de sustentabilidade no futuro.
A Indústria 4.0 vai abranger todas as áreas da economia pela criatividade e inovação sistemática, no turismo, serviços, indústria por excelência, assim como todas as atividades híbridas.
 É neste contexto que emerge, como base de crescimentos económicos mais notáveis, e tão desejados, a necessidade de uma estratégia nacional, de dar mais atenção ao fomento das atividades da indústria com a afirmação de aposta em setores seletivos pelo valor que criam, postos de trabalho que fomentam e pelo reforço dos clusters que estão inseridos, ou que podem fazer nascer.
Os serviços são hoje a componente da economia capaz de gerar o efeito de proximidade tanto valorado na estratégia sobre os mercados e que as empresas devem desenvolver e são um braço armado de toda a atividade industrial, em particular dos bens transacionáveis e dos próprios serviços transacionáveis.
Assim, a análise é recíproca, porque até os serviços de alto valor acrescentado se estruturam na indústria moderna e competitiva.
Hoje o enaltecimento do turismo é notável, pelos resultados que estamos a obter. Contudo, não nos podemos esquecer da figura que lhe foi associada que é o surf, cujo coeficiente comportamental é muito sensível, dependendo de variáveis que mudam todos os dias, tanto para o bem como para o mal.
Estrategicamente, para fomentar-mos um crescimento económico mais notável, o fomento daquela ligação é estratégico, embora tenhamos de refletir sobre os resultados quanto ao emprego.
É ponto aceite que a produtividade gerada também é quantificada pelos postos de trabalho que elimina ou reduz. Cabe perguntar?: será esta evolução habitual para as empresas? Claro que não.
Quando uma empresa tem ganhos significativos na sua competitividade, a reação natural é consolidar e expandir os seus mercados, uma vez que, sendo mais competitiva, as vendas sobem e a solicitação é maior e a resposta natural é o aumento da capacidade produtiva em aproveitamento das novas oportunidades geradas.
 É contranatura que quem tenha ganhos de competitividade reduza a sua atividade.
 Pela Internet, podemos fazer hoje combinações estratégicas de alta produtividade pela valorização das competências, independentemente do local onde se encontram com a sua logística. Exemplo, o facto de um grupo ter uma empresa Industrial e de Serviços no México, ter a componente de Engenharia e Projeto em Portugal e, ao mesmo tempo, responder com uma equipa de Investigação & Desenvolvimento a partir da Alemanha. Isto traduz a procura de vantagens competitivas a partir desta ligação, que hoje deve estar na linha de fomento de uma indústria moderna e ganhadora que participará por consequência numa alteração de rumo em direção a um desenvolvimento mais notável em economias estruturadas para crescer.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

PORQUE NÃO CRESCE A ECONOMIA?

O problema financeiro que domina  a mais violenta dessa conjuntura está patente na dinâmica económica. O que está a acontecer à evolução da economia?
Embora a atenção esteja dominada pelas questões orçamentais e bancárias, existe muita atividade nas empresas portuguesas. Portugal é um país com muitos e variados empreendimentos. Do turismo às novas tecnologias, da agricultura à indústria, muitas pessoas produzem e vendem produtos de qualidade.
A economia está a crescer! Nos últimos três anos a produção deixou a recessão e tem vindo a aumentar significativamente. No entanto, a verdade é que a nossa economia está a crescer menos do que em qualquer época sem recessões.
A recessão que a economia portuguesa sofreu de 2011 a 2013, foi a mais violenta desde a Segunda Guerra Mundial. A comparação com outras crises europeias permite voltar ao tema do confronto entre problemas de liquidez e solvabilidade. Alguns países recuperaram rapidamente, sobretudo porque sofreram muito com o aperto, mas sem problemas estruturais.
Foi o caso da Islândia, que em 2015 já recuperara toda a queda e se encontrava 5% acima do nível anterior à crise, bem como, os países bálticos que face ao pico onde tinham caído, já estavam 3,3% acima, ou apenas 1,4% (Letónia) ou 1,2% (Estónia), abaixo.
Pelo contrário, outras economias, sofrem de graves dificuldades de solvabilidade, e por isso, em 2015, ainda se encontravam muito abaixo do nível que tinham, quando se iniciou a crise de 2008. Em todos os casos, a crise, mesmo tendo sido violenta é uma lembrança longínqua.
Pelo contrário, outras economias sofrem de graves dificuldades de solvabilidade, e por isso, em 2015, ainda se encontravam muito abaixo do nível que tinham, quando se iniciou a crise de 2008. Neste caso, está a Grécia ( que ainda está 24,2%,abaixo do ponto inicial,), a Croácia (1,1%), Chipre(9,3%), ou Portugal(5,7%). Mesmo países que sofreram menos no momento do impacto como a Finlândia, que perdeu 7,6%), com a crise, Espanha (15,2%) ou Itália 7,3%).
Os problemas financeiros do Estado e da banca têm relações biunívocas.
Nunca há excesso de despesa do Estado, se não existirem muitos cidadãos prontos para receber. Não pode haver problemas de crédito malparado nos bancos, sem existir muito endividamento  na economia.
A verdadeira origem de um possível colapso financeiro está num aparelho produtivo que não gera riqueza suficiente para pagar as suas contas. Portugal tem um Estado gravemente endividado e uma banca muito fragilizada, tendo por base uma economia oprimida por uma herança de responsabilidades, que tem e terá muita dificuldade em gerir. No que concerne à poupança, Portugal tem um comportamento disfuncional. Com taxas de juro negativas, ou quase, quem poupa está a ser roubado.
As famílias portuguesas reagiram ao primeiro ciclo financeiro das empresas, reduzindo a sua poupança, colocando-a nos mínimos em 2008.Nessa altura, as empresas e famílias moviam-se no mesmo sentido, agravando a sua dependência financeira.
O comportamento da poupança das famílias desde 2013, é bastante preocupante. Com um endividamento elevado e uma situação económica bastante frágil, parece irresponsável reduzir a fatia amealhada de um rendimento que, finalmente começou a crescer.
Ninguém duvida de que a falta de crescimento constitui o elemento central das nossas dificuldades económicas. Com a economia próspera, todos os aspetos orça
mentais e angústias bancárias esfumar-se-iam. Pelo contrário, na sua ausência, até as atividades saudáveis dão sinais preocupantes. Por outro lado, é evidente, que sem investimento, a economia não cresce. Dado termos trabalhadores disponíveis, liberdade de iniciativa e mercados abertos, a falta de capital, está na origem do nosso bloqueio. Mas esses elementos são consequência da ausência da dinâmica do investimento.
É por falta de oportunidades rentáveis, que a banca está frágil e a reduzida taxa de remuneração das poupanças, resulta de aplicações pouco lucrativas. Além disso, é importante notar, que as taxas de juro negativas, se são prejudiciais à poupança, deviam facilitar o investimento.
Então porque razão tão poucos se arriscam  investir? Por falta e confiança. É por isso que as taxas estão baixas, que a banca está frágil e não há investimento. A economia cresce pouco, porque não há capital. A dívida é enorme e as contas públicas não equilibram porque não há capital. Mas porquê? Não há capital por duas razões: a primeira é que o povo não poupa. A taxa de poupança das famílias portuguesas, situa-se num registo mais baixo da nossa história, e é um dos valores mais baixos da União Europeia. O nosso país, que há duas gerações era campeão mundial da poupança, mudou de hábitos e gasta o eu tem e o que não tem, se pensar no futuro. Assim não pode haver capital. É o povo que toma uma atitude de consumidor e devedor, em vez de aforrador e investidor.
Outro motivo para a nossa situação, tem a ver com a incapacidade de atrair capital alheio.
Ora quando não há poupança, a solução é usar crédito. Foi isso que as nossas empresas e famílias fizeram durante duas décadas, acumulando uma das maiores dívidas mundiais. Crédito não é capital. Poderá ser uma forma temporária de aceder a fundos que, aplicados de forma produtiva, se venham a transformar em capital. Mas todos estes factos acumulados com dívida, constituem um perigo evidente.
Porque razão os portugueses não poupam? Com taxas de juro negativas, não espanta que isso aconteça. Os valores miseráveis obtidos na aplicação de fundos, constituem uma vergonha que arruína aforradores, idosos, pensionistas e, todos os que vivem do pé-de-meia que honestamente acumularam.
As taxas estão baixas porque o Banco Central Europeu tem andado a injetar quantidades enormes de dinheiro, para apoiar os países endividados. Desde 2008 ,que se anda a apertar o cinto e a vender propriedades ao estrangeiro para poder pagar as contas. Essa austeridade é necessária, mas não é solução. Enquanto a poupança continuar a descer, a situação vai-se agravando.
Sem capital, não há produção, e sem ela não temos o suficiente para comprar . Por outro lado, o trabalho é juntamente com a terra e o capital, um dos três fatores básicos da produção. Tudo é produzido através das matérias-primas, equipamentos e trabalhadores. Acontece que o país não cresce , e, isso deve-se, não só ao facto de existir menos capital, mas também, por haver menos trabalhadores, pois existe uma descida da população ativa: as causas estão ligadas ao aumento da emigração e ao aumento da esperança de vida, pois estamos a viver um acelerado envelhecimento, pelo que o fator trabalho está mais reduzido. Portugal está a cresce pouco. Por isso, é urgente fazer uma transformação profunda e radical, na estrutura da nossa economia, para romper bloqueios, eliminar princípios e lançar dinamismo. Há a necessidade de fazer reformas estruturais.
Que sucederá nos próximos tempos em Portugal? Ninguém sabe. O certo é que existe instabilidade na nossa economia.
 Portugal sobrevive e prospera se souber reencontrar o valor, equilibrar interesses, apoiar os mais fracos e acreditar em si, e no sistema que aqui nos trouxe.
 Temos uma cultura antiga e sólida. Passámos por várias crises, mas somos um dos países com personalidade mais persistente, presença mais marcante
 e dinâmica mais notável na história da humanidade. Somos uma sociedade coesa e duradoura, com muitas linhas de futuro, recursos valiosos e setores dinâmicos.
 Cabe a esta geração, preparar o caminho e encontrar a linha do essencial para um futuro melhor.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

PORQUE SE AGRAVA A DESIGUALDADE?

Um grande problema preocupa a situação interna de muitos países: a questão das desigualdades. Esta constitui uma consequência de magna transformação que a humanidade sofre nos nossos dias, e que  formatará o mundo nas próximas gerações. A humanidade sempre viveu com disparidades sociais. Essas diferenças estavam mesmo embutidas na estrutura social, através de castas, classes e direitos hereditários. Existem muitos tipos de desigualdade, em grande parte do mundo, com efeitos indesejáveis. A crise financeira trouxe ao de cima uma distinção entre os países do Norte e do Sul na União Europeia. No entanto, na ordem do dia está a mais antiga e intensa das desigualdades: o fosso entre ricos e pobres.
Uma enorme desigualdade, ao longo dos séculos XVIII e XIX, com uma redução drástica da injustiça nas décadas centrais do século XX, seguida de um aumento de desigualdade nas décadas mais recentes:  A primeira conclusão é que nenhuma tendência de redução da desigualdade da propriedade do capital é percetível antes dos choques dos anos de 1914-1945.
A redução das desigualdades observada nos países desenvolvidos entre os anos 1900-1910 e os anos 1950- 1960, é antes de mais o produto das políticas públicas implantadas em sequência desses choques.
Igualmente, a subida das desigualdades desde os anos 1970-1980, deve muito aos retrocessos das últimas décadas, em particular em matéria fiscal e financeira. A dedução explícita, é que a enorme desigualdade capitalista contribuiu para os horrores das duas guerras mundiais e para a Grande Depressão.
Atkinson avança sobre a economia para resolver a desigualdade.
Vejamos algumas medidas:
1- A orientação da mudança tecnológica deve ser uma preocupação explícita dos decisores políticos, encorajando inovações, de forma a aumentar a empregabilidade e enfatizando a dimensão humana da provisão dos serviços;
2- O Governo deve adotar um objetivo explicito de prevenção e redução de desemprego e fixar esta ambição oferecendo emprego público garantido ao salário mínimo a todos os que o quiseram;
3- Deve haver uma politica de salário nacional, consistido em dois elementos: um salário mínimo legal, num salário de sobrevivência (living wage) e um código de práticas para pagamentos acima do mínimo, acordado como pate de uma "negociação nacional", envolvendo o Conselho Económico e Social;
4- Deve haver uma dotação de capital (herança mínima) para todos os adultos.
5- Devemos regressar a uma estrutura fiscal mais progressiva no imposto sobre o rendimento pessoal, com taxas marginais de imposto aumentado, por escalões de rendimento tributável, até a uma taxa superior de 65%, acompanhada por um alargamento da base fiscal;
6- Um rendimento de participação deveria ser introduzido a nível nacional, complementando a proteção social, existente, com o objetivo de criar um rendimento básico infantil único para União Europeia.
A desigualdade é, sem dúvida, uma questão muito grave, mas a única forma para a reduzir significativamente, implica mudanças tão profundas que levaram ao abandono do sistema como o conhecemos, e à adoção de uma economia bastante parecida com os regimes coletivistas.
No meio da intensa transformação tecnológica e da competição internacional dos nossos dias, o quadro traçado coloca fortes dúvidas, quanto à capacidade das sociedades combinando a desigualdade social com o desenvolvimento produtivo.
O modelo que a ciência económica tradicional usa para entender a desigualdade e o crescimento foi apresentado por um economista de origem russa (kuznets). A ideia básica é que os países, partindo de uma situação igualitária, sofrem um aumento de desigualdade nas primeiras fases do seu progresso para, a partir de certo nível, começarem a ser mais igualitários.
Segundo  Kuznets, a desigualdade decresceu à medida que a oferta de trabalho mais qualificado, e a procura por redistribuição aumentou e o rendimento do capital caiu.
Estamos atualmente a viver um período de aceleração da história económica, que tem como consequência natural um aumento da desigualdade.
Segundo Atkinson " a globalização torna muito difícil o aumento da tributação do promotor mais significativo da desigualdade":
O trabalho está a ficar mais difícil de tributar, porque pode facilmente movimentar-se de um país para
outro. O crescimento económico vai ainda ser muito importante no século XXI: ele é o instrumento mais poderoso para reduzir a pobreza a nível global e a desigualdade. Dificilmente podemos sobretudo a sua importância nos países pobres como meio para tornar melhores as vidas das pessoas comuns. É certo que há muita dificuldade em enfrentar o problema da desigualdade.
As politicas que funcionariam no sentido da igualização de longo prazo, incluiu:
1- altos impostos sucessivos que, segundo Piketty, impediriam os pais de transferir grandes ativos para os filhos;
2- politicas de distribuição empresarial que estimulam as empresas ou distribuem ações aos trabalhadores;
3- políticas fiscais e administrativas que permitam aos pobres e à classe média adquirir e deter ativos financeiros;
4- para reduzir a desigualdade nas dotações, uma propriedade do capital mais dispersa tem de ser combinada com uma mais igualitária distribuição da educação.
Irá a desigualdade desaparecer à medida que a globalização continua? Não. Os ganhos da globalização não vão ser distribuídos igualitariamente. A questão da desigualdade constitui sem dúvida, um dos problemas mais desafiantes da atualidade. É verdade, que ela resulta da intensa transformação económica do mundo. Esta, além de gerar múltiplos benefícios a todos os níveis, traz consigo efeitos nocivos, como a instabilidade financeira e a disparidade social.
A geração atual enfrenta o desafio monumental de conservar os benefícios do progresso de corrigir injustiças, salvaguardar a natureza e a liberdade. Todas estas situações são travadas no campo politico onde forças e movimentos novos, começam a dominar.

 

 

domingo, 3 de janeiro de 2016

O CRESCIMENTO E DÍVIDA DA ZONA EURO

Depois da maior crise económica e financeira, desde o pós -guerra, a Europa parece ter caído de novo numa situação de baixo crescimento, de inflação zero, de desemprego acentuado que tarda em descer.
O FMI demonstrou recentemente que existe um problema: a zona euro está de novo a divergir em termos globais. A economia global, mesmo travada pelo crash do petróleo que tem dificultado a vida aos países emergentes vai ganhar força. A união monetária acompanha, mas fica cada vez mais para trás. Seis anos depois da economia mundial ter emergido da sua recessão, mais ampla e profunda desde o pós -guerra, o santo graal da expansão global robusta e sincronizada, continua a ser elusivo.
De facto, segundo algumas previsões, a zona euro não crescerá mais do que 1,5% este ano, e 1,6%, no próximo, chegando a 2020 sem aumentar o crescimento. A economia mundial, que em 2015 conseguiu avançar em 3,15, reforça para 3,6% no próximo ano e pode alcançar cerca de 4% em 2020.
Segundo Obstifeld, o problema com as matérias - primas representa hoje uma grande parte da história, mas não explica tudo: instabilidade política e dívida em excesso, são outros travões mencionados. No caso da dívida, a Europa pode ter de se preocupa.
Mesmo com essas complicações, o FMI, acredita que os países e.ergente, tonarão  descolar. Já as regiões ditas desenvolvidas não. Os Estados Unidos podem desacelerar de 2,8% em 2016, para apenas 2% em 2020.
No caso da zona euro, que deveria aparecer como uma união coesa, por ser económica e monetária, e, por isso, mais próspera com o euro a ser referido como um "sucesso" à escala global, os sinais de divergência interna acumulam -se. É hoje consensual que a união está incompleta e que isso prejudica o potencial de crescimento: falta a integração bancária e orçamental com todos os obstáculos que isso ainda acarreta. Assim, os excedentes dos países do Norte, continuam a ser feitos à custa de défices externos dos países do Sul. O Norte exporta e fatura nos mercados garantidos do Sul, sem risco cambial. Mas esse mesmo Norte, mais desenvolvido, onde se enquadra a Alemanha, por exemplo, continua a ser o credor que financia as economias "gastadoras" do Sul.
No entanto, estas economias, atoladas em dívida, não conseguem crescer, parecendo condenadas a uma estratégia de consolidação orçamental de décadas que trava as suas retomas. Muitos defendem que a resposta, passa  por mais reformas estruturais, que libertem os melhores recursos desses países, que os tornem mais competitivos. Mas há quem não concorde e exija mais solidariedade, por romper de vez com o que parece ser um ciclo vicioso.
Se o Sul não está bem, o Norte, acabará por sentir esses efeitos negativos.
Segundo alguns economistas, "o modelo da construção europeia, do qual hoje, o tratado orçamental é o pilar mais forte, gerou benefícios" Os benefícios dos credores mais do que superaram as perdas dos devedores. Mas parece -me que este modelo está a esgotar -se, e isso explica as dificuldades que as economias mais fortes estão a ter em reinventar a sua próxima onda de crescimento.
Se olharmos para os últimos anos da Europa, da década de 90 para cá, a grande novidade, foi a formação de uma clivagem cada vez mais profunda entre excedentários e deficitários, entre credores e devedores.
É certo que os países menos desenvolvidos têm mais trabalho de casa para fazer.
Segundo o presidente do BCE, Mário Draghi, as taxas de juro baixas, não irão, só por si, restaurar um crescimento sustentado da economia e do emprego, a não ser que seja acompanhado por reformas nacionais que permitam ultrapassar os obstáculos a esse crescimento.
Para obter todos os benefícios da política monetária é obrigatório o contributo de outras áreas de política. Dada a persistência do elevado desemprego estrutural e do baixo crescimento do produto potencial da área do euro, a retoma cíclica deve ser apoiado por políticas estruturais eficazes.Empresas e investidores devem ser apoiados por uma infra -estrutura pública adequada, e os governos devem fazer a aplicação integral e coerente do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Por outro lado, com a inflação da zona euro em 0,1%, bem longe dos quase 2%, o BCE, decidiu reforçar o seu programa de expansão monetária (QE) em pelo menos, 360 mil milhões de euros, que acrescem aos já programados 1,14 biliões, até finais de Setembro de 2016. O QE foi estendido por mais de 6 meses, até Março de 2017.
O BCE garantiu ainda algo muito importante: irá reverter os ativos comprados no âmbito deste programa, o que significa que o efeito dos juros quase zero, prolongar -se - á por muito mais tempo.
Também Mário Draghi, explicou que o programa QE será complicado e que a compra de ativos aos bancos europeus, até aqui, era sobretudo dívida nacional; daqui para a frente, irá contemplar também a dívida local e regional.
Sem dúvida, que a inflação está mais fraca do que o esperado, pelo que o BCE injetará mais dinheiro barato nos bancos, sem contrapartida de recompra Sendo assim, o plano QE  vai, portanto engordar mais um terço (360 mil milhões de euros até aos 1,5 biliões).
Os riscos quanto às perspetivas de crescimento para a zona euro, devem -se a incertezas acrescidas relacionadas com a evolução da economia mundial, bem como, a riscos geopolíticos mais abrangentes. Tais riscos têm o potencial para passar sobre o crescimento mundial e a procura externa das exportações da área do euro, e, de modo mais generalizado sobre a confiança.
Será improvável que o "ritmo de crescimento esperado para a área do euro", seja rápido o suficiente para fazer subir a inflação.Frankfurt avançou por isso, com o QE e outras medidas de apoio.
No entanto, o crescimento económico, e, consequentemente, as perspetivas de inflação, permanecem limitados, pelo elevado nível de dívida privada e pública de muitos países, e, pelo progresso lento das reformas. Por isso a S&P, considera que " a política monetária não será capaz de compensar "os ativos" dos países.
Será que a inflação da zona euro recupera em 2016?
Todas as previsões apontam para uma possível recuperação da inflação da zona euro em 2016 pela estabilização dos preços do petróleo e pelos efeitos da desvalorização do euro. Mas a confiança nas estimativas do BCE é maior.As suas previsões de uma aceleração da inflação têm sido revistas em baixa. Vários indicadores de mercado não antecipam que a inflação regresse a 2%, antes do final da década.
A grande incerteza que paira sobre a economia mundial, também não ajuda, seja nas economias emergentes, nos EUA, ou na evolução do preço do petróleo.
Todos estes fatores têm potencial para afetar a recuperação da inflação, da economia da zona euro, bem como a economia nacional.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

UMA NOVA ORDEM MUNDIAL

Será possível gerir a economia mundial com a sua grande dimensão e com tantos países e povos diferentes?
Quais são os fatores determinantes para ser conseguido um determinado resultado?
Cada vez mais, são as empresas que começam a ver oportunidades internacionais fora do seu mercado nacional. As subidas dos preços dos alimentos e da energia, têm implicações em todo o mundo, à medida que absorvem uma proporção cada vez maior de rendimentos disponíveis, de muitas pessoas, especialmente dos mais pobres.
A globalização veio aumentar a concorrência, mantendo os salários baixos em muitas economias ocidentais, enquanto, ao mesmo tempo, a concorrência em termos de talentos e postos de trabalho, é intensa. Cada vez mais pessoas, em todo o mundo, veem aumentar os seus rendimentos, o que lhes permite, viajar, gastar e investir internacionalmente. Neste contexto, necessitamos de novas instituições. É certo, que cada vez mais, as economias são interdependentes, o que significa, que muitos países podem partilhar os frutos do crescimento. Numa economia, o resultado depende da interação entre os princípios fundamentais, política e confiança. É quase difícil medir a confiança. A confiança por si só, não consegue levar uma economia muito longe, no entanto, a sua importância não pode ser subestimada. As empresas precisam de confiança antes de investir, e as pessoas também dela necessitam, antes de gastarem muito dinheiro.
As pessoas criaram o hábito de se familiarizar com o modo como as coisas funcionam no seu país, uma vez, que é lá que as suas leis são aprovadas, os impostos são pagos e, enquanto o país for uma democracia onde se vota.
O que acontece a nível nacional, pode influenciar, ou ser influenciado, pelo que acontece no exterior.
É por isso, que é mais importante, do que foi alguma vez no passado, controlar as instituições regionais e mundiais.
Alguns, poderão dizer, que não são as instituições, mas sim o dinheiro, que faz girar o mundo. Quanto dinheiro está concentrado nas mãos de tão poucos? Pelo lado positivo, em anos recentes, as economias emergentes, criaram mais riqueza.É uma boa notícia, porque reflete a fatia crescente que têm no bolo  económico mundial, e , porque ajudam a sair mais pessoas da pobreza extrema proporcionando uma base firme, onde se pode construir o futuro crescimento mundial, com áreas múltiplas de procura interna mais forte.
Uma tendência que vale a pena sustentar, é a de que, embora se tenha visto que a globalização e o crescimento da economia mundial, fizeram desaparecer os fossos de rendimento entre os países, estes aumentaram no interior de alguns países. Isto é um sinal de que a globalização, está a funcionar a nível internacional.A globalização torna mais difícil tributar áreas que são móveis, como as multinacionais, ou os trabalhadores altamente especializados, a não ser que todos adiram a uma abordagem política dos impostos mundiais. É certo, que a eficácia das políticas nacionais, pode ser influenciada, pelo que se passa no mundo.
No decurso da globalização, as grandes empresas internacionais, tornaram -se mais móveis, capazes de transferirem as suas operações de um lado para o outro, criando empregos em múltiplos locais.
Os países de todo o mundo cortejam as empresas mundiais, com a esperança de atraírem o seu investimento e os seus empregos. Muitas das  grandes empresas listadas nas principais bolsas, realizam uma grande quantidade dos seus negócios no estrangeiro. Os fabricantes e os call centers podem transferir as suas operações, para onde os custos sejam inferiores, enquanto as empresas do setor dos serviços vão para onde existe pior procura.
Vejamos as principais instituições mundiais: FMI,G20,OMC: verificamos que numa economia mundial, onde o conhecimento e o poder são importantes, a capacidade de influenciar o debate económico e político pode ser crucial. Desde logo, a importância das instituições e grupos mundiais, não deveria basear -se apenas no modo como se resolvem as questões e atribuírem fundos, mas também, como influenciam o pensamento, atitudes e comportamentos.
Quanto mais pensamos nesses grupos, mais possibilidade temos de nos questionar se funcionam, e, quão provável trabalham ou, não no futuro. Por exemplo, como irão interagir com os governos nacionais? As instituições mundiais adequam -se à sua finalidade ou precisam de mudar?
Como podemos garantir que essas instituições fazem um bom trabalho, de modo, a ajudar a economia mundial a crescer?
O grande desafio tanto para os grupos mundiais, como mundiais é que parece haver um desejo natural de se expandirem sempre e nunca reduzir. A coordenação de políticas a nível mundial, centra -se nos motores da economia em muitos países. Exige uma consciência dos danos que os atos de um país poderão provocar a outros, e dos momentos, em que faz sentido, agir em conjunto, para maximizar as oportunidades e obter resultados bem sucedidos. A coordenação política mundial faz sentido, mas é difícil de atingir na prática. A riqueza e o poder de compra estão altamente concentrados. Isso, reforça a necessidade de de uma estrutura institucional certa em todo o mundo, Quer se trate de países ricos ou pobres, em todo o mundo, todos têm de ser regidos pela mesmas normas
Necessitamos de uma estrutura institucional certa, que resolva as questões mundiais fundamentais.
A coordenação da política mundial, pode funcionar e mudar as coisas, e, portanto, quanto mais credíveis, forem as instituições, tanto mais eficazes podem ser.
Também devem ser criadas de forma adequada, de modo a refletirem, como a economia mundial está a mudar e terem legitimidade aos olhos da maior parte dos países do mundo. Se os países decidirem trabalhar juntos, em políticas regionais e mundiais, têm de aceitar alguns compromissos em termos das suas próprias políticas internas.Considerando que uma boa economia, significa uma boa política, as alianças em grupos regionais ou mundiais, deveriam fazer sentido, em termos económicos.
No futuro, as economias bem sucedidas, serão aquelas que seguirem as diretrizes de adaptação de mudança e de jogo dos pontos fortes, assumindo uma posição eficaz,  transformando -se num local atraente onde investir para os empresários, tendo a economia mundial por objetivo um forte crescimento sustentável.