sábado, 31 de março de 2018

COMO SAIR DA CRISE FINANCEIRA?

Neste momento, enfrentamos  um problema de liquidez, um problema de solvência e um problema macroeconómico. Encontramo- nos numa primeira fase , numa espiral descendente, pelo que faz parte do inevitável processo de ajustamento: fazer os preços das casas a regressar a níveis equilibrados e eliminar o excesso de dívida que a nossa economia mantém. Mesmo com o novo capital disponibilizado pelo governo federal, os bancos não conseguirão, emprestar tanto quanto no seu passado. Os proprietários das casas não desejarão endividar-se da mesma maneira. As poupanças, que têm sido quase inexistentes, começarão a aumentar, algo que é bom para a economia a longo prazo, mas é mau para uma economia em recessão. Embora algumas das grandes empresas, possam na verdade, ter bastante dinheiro, muitas das pequenas empresas dependem do crédito, não só para efetuarem investimentos, mas também para fazerem face aos custos operativos. Este aspeto será mais dificil de solucionar. E o investimento em imóveis, fator preponderante para o nosso modelo de crescimento nos últimos seis anos, caiu +para níveis que não se registaram desde há vinte anos.
Pode-se apontar uma estratégia geral em cinco pontos:
1- Recapitalizar os bancos- com todas as perdas, os bancos ficaram sem capital suficiente e vai-lhes ser difícil conseguir capital, nas circunstâncias atuais. Neste sentido, o governo federal deve disponibilizar-lhes o capital necessário, a troco de participações com direito a voto. Mas as injeções de capital também resgatam os obrigacionistas. Atualmente o mercado não tem em conta as obrigações, dizendo que existe uma grande probabilidade de incumprimento. Terá por isso, de existir uma conversão forçada dessa dívida em capital. Assim, reduzir-se-á bastante o volume de ajuda necessária por parte do governo federal. Os economistas dizem que é preciso recapitalizar os bancos e disponibilizar dinheiro novo para compensar as perdas resultantes dos maus empréstimos.
Mas há questões relacionadas com este processo:a primeira é a de saber se a decisão é justa para os contribuintes; a resposta parece ser relativamente óbvia; os contribuintes sairiam a perder.
A segunda é a de tentar perceber se existe supervisão e restrições suficientes para evitar o regresso das más políticas do passado e garantir a concessão de novos empréstimos. Ao compararmos os termos exigidos pelo Reino Unido e os exigidos pelos Estados Unidos, saímos mais uma vez a perder.
A título de exemplo, nada impede os bancos de continuarem a fazer grandes pagamentos aos acionistas, à medida que vão recebendo dinheiro público.
A terceira questão é a de saber se existe dinheiro suficiente. Os bancos são tão pouco transparentes que ninguém consegue responder com segurança a esta questão, embora saibamos que a probabilidade de os bancos crescerem é grande.  E a razão para tal é o facto de não ter sido feito quase nada para resolver  problema de fundo.
2- Impedir a vaga de execuções hipotecárias- é necessário resolver o problema das execuções hipotecárias. É essencial ajudar as pessoas a conservarem as suas casas, transformando os juros das hipotecas e as deduções sobre  o imposto do património em créditos fiscais convertíveis em dinheiro, reformando a lei de falência para permitir a agilização das reestruturações, capazes de baixar o valor das hipotecas nos casos em que os preços das casas lhes são inferiores, e apontando, inclusive, na concessão de empréstimos públicos e transferindo essas poupanças para os pobres e paraos proprietários com rendimentos médios.
3.-Aprovar um pacote de estímulos eficaz-  por um lado é essencial aumentar os seguros contra o desemprego; por outro, se não ajudarmos os estados, eles terão de reduzir os gastos, face á diminuição das receitas fiscais, e essa redução conduzirá a uma contração económica.
No entanto, para verdadeiramente despertar a economia, Washington terá de investir no futuro.
O furacão Katrina e o colapso da ponte Mineápolis foram apenas dois avisos sinistros do quão descrépitas se tornaram as nossas infraestruturas.
Os investimentos em tecnologia e infraestruturas têm o potencial de estimular a economia a curto prazo e reforçar o crescimento a longo prazo
4-Recuperar a confiança através de reformas regulamentares-na origem dos problemas estão as más decisões dos bancos e as falhas na regulação. Há que saber abordá-las, se quisermos recuperar a confiança no nosso sistema financeiro. As estruturas do governo das sociedades que criaram estruturas de incentivos deformadas, concebidas para recompensar generosamente os diretores executivos das empresas, devem ser alteradas, tal como devem ser modificados muitos dos próprios sistemas de incentivos. Não se trata apenas do nível das recompensas, mas também da forma: as opções sobre ações sem transparência que oferecem incentivos para aumentar os rendimentos declarados, através da prática de uma contabilidade falsa.
5-Criar um organismo multilateral eficaz-como a economia mundial está cada vez mais interligada, é necessário desenvolvermos uma melhor supervisão mundial. é irreal pensarmos um mercado financeiro, A recente crise deu-nos um exemplo dos perigos: quando alguns governos estrangeiros começaram a oferecer garantias totais aos seus depósitos, o dinheiro começou a fluir na direção dos que pareciam ser paraísos fiscais.
Mesmo antes da crise se alastrar à escala global, Nicolas Sarkozy, sugeriu, no seu discurso na ONU, a realização de uma cimeira mundial para se lançarem as bases de uma maior regulação estatal que viesse a substituir a atual atitude conformista. Podemos estar perante um novo "momento Bretton Woods": quando o planeta saiu da Grande Depressão, e, da Segunda Guerra Mundial, houve a perceção de que era necessária uma nova ordem económica a nível mundial. É evidente que esta nova ordem  não serve para o novo mundo globalizado. É preciso construir uma nova ordem económica para o Século XXI, introduzindo um novo organismo regulador a nível mundial.
Qual o caminho a seguir?
Estou convicta de que um programa abrangente como os pontos referidos atrás, não só se restabelecerá a confiança, como o desenvolvimento.

segunda-feira, 19 de março de 2018

HÁ VIDA ALÉM DA BTCOIN

Imaginemos um país onde 99% dos serviços públicos estão disponíveis on line. Com um cartão chave  de identidade digital, pode-se aceder aos registos(médicos, judiciais, civis, e de segurança), a qualquer hora do dia, todos os dias da semana e em qualquer lugar. Nesse país não se precisa de andar com o cartão de cidadão ou outro documento, porque todos são digitalizados e guardados de forma segura num sistema descentralizado, podendo aceder-lhe quando e onde quisermos.
Em dia de eleições, consegue-se votar a partir de qualquer parte do mundo. Não se precisa de ir para as longas filas da loja do cidadão para obter ou atualizar o cartão, pois as assimetrias digitais são vinculativas. Se a polícia vir um condutor a conduzir na estrada e quiser saber se tem tudo em ordem,não precisa de o mandar parar, já que pode consultar facilmente os documentos do condutor através de um portátil.
No sistema nacional de saúde, os doentes, tal como os médicos, podem aceder aos registos médicos, ver quem os consultou ou analisar e reportar alguns casos de abuso.
A Estónia é pioneira na utilização da blockchain aos serviços dos cidadãos e da administração pública.
O princípio básico da blockchain está no facto de permitir que duas ou mais partes possam realizar transações ou negócios sem a necessidade de grandes intermediários como bancos ou governos.
Essas transações podem ser automatizadas através de smart contactos que incluem informação sobre as ações previstas atomaticamente.
A blockchain é vista por legisladores e empresários com otimismo.
Em menos de dez anos, 10% do PIB mundial estará armazenado na blockchain, segundo o Word Economic Forum. Foi, para estudar os seus desafios e oportunidades que a União Europeia, criou o Observatório Forum para a Tecnologia de Cadeia de Blocos.
Em Portugal, será lançado brevemente  a Aliança Portuguesa de blockchain, que reúne,entidades governamentais para dotar o sistema empresarial português de conhecimentos sólidos em blockchain.
As vantagens económicas com maior rapidez e redução de custos, são motivos para o crescente interesse na tecnologia.
A "cadeia de blocos", uma tecnologia onde a informação é armazenada de forma distribuída e armazenada, está a dar os primeiros passos e há desafios a ultrapassar,- maturidade, escalabilidade, literacia e escassez de recursos técnicos. A ausência de quadros regulatorios claros e estáveis , reação dos poderes públicos, resistência à mudança e risco, não ser possivel de ultrapassar dificuldades tecnológicas, também são referidos como entraves à adoção massificada da tecnologia.
Mas as suas mais-valias continuam a mobilizar setores e indústrias, atraídos pela segurança, transferência, rapidez, custos reduzidos ou pela eliminação de intermediários.
Não existe uma ou várias blockhains com características diferentes. Esta +e uma das tecnologias que permite armazenar e validar a informação em cadeia, de forma distribuída e autonomizada: em vez de os dados serem guardados num servidor e validados por uma entidade, são partilhados por todos.

sexta-feira, 2 de março de 2018

A GLOBALIZAÇÃO: O IMPACTO NO MUNDO

No mundo rico vivem cerca de mil milhões de pessoas, o que corresponde a 1,5% da população mundial mais que representa cerca de metade do PIB mundial. O futuro da humanidade depende essencialmente daquilo que acontecer nos restantes países do mundo, onde vivem 6 mil milhões de pessoas, o que representa 85% da população mundial, e que serão responsáveis pela quase totalidade (97%) do aumento da população prevista para 2100.
A história industrial moderna, ou pelo menos a maior parte dela, é uma narrativa em que as economias do mundo emergente, ficam cada vez mais para trás do mundo rico, em matéria de rendimento, e níveis de vida.
O Know-how- o capital social que alimenta o crescimento da riqueza no mundo rico, passou ao lado da maioria das economias pobres, se exceptuamos um outro caso isolado de sucesso, de que o Japão e a Coreia do Sul são bons exemplos.
Durante as duas últimas décadas, esse padrão ruiu de forma significativa, quando uma conjugação de fatores económicos, entre os quais a revolução digital, integrou milhares de milhões de novos trabalhadores na economia global.
Os trabalhadores dos mercados emergentes, dão um dos principais contributos para a atual abundância de mão-de-obra, A sua entrada nos mercados globais de trabalho contribuem para a ascensão de uma classe média à escala mundial, e reduzem os rendimentos dos trabalhadores menos qualificados do mundo rico.
Acontece, porém, que esta explosão dos mercados emergentes não assentou numa consolidação generalizada das instituições, embora ela não tivesse acontecido, sem as reformas económicas da China e da Índia, nenhum destes países, nem os mercados emergentes em geral, desenvolveram o intenso capital social que permitiu o crescimento seguro e constante dos países ricos, ao longo de mais um século.
O mundo emergente que encontrou uma forma de contornar o estrangulamento do seu capital social.
Em alternativa, ao processo penoso de desenvolver a capacidade de transformar as ideias e o Know-how em projetos úteis e lucrativos, num longo espectro de setores de atividade económica, o mundo emergente, percebeu que podia apanhar migalhas da atividade em curso em países mais ricos, e de colher alguns frutos da capacidade de crescimento desses países.
Entretanto, a era do crescimento rápido dos mercados emergentes está a chegar ao fim.
A revolução digital está a contribuir para o seu abrandamento, e,  no futuro fará com que os países pobres tenham mais dificuldade em repetir o desempenho  económico dos últimos vinte anos.
Uma vez mais, as economias ricas desfrutaram de um quase-monopólio de todos os tipos de capital necessários para criar os rendimentos típicos dos países ricos.
O abrandar do crescimento dos mercados emergentes tem graves consequências. Amais importante é a de que milhões de pessoas continuarão muito mais pobres, do que o esperado.
A estagnação dos rendimentos nos países mais pobres irá exacerbar as tensões políticas em algumas regiões, e dificultar a adaptação das populações das economias emergentes às dificuldades, entre as quais as alterações climáticas.
Sendo certo, que o capital humano e o capital físico desempenham papéis importantes na geração de rendimentos elevados, o capital social, é o fator indispensável..
Os países prósperos têm instituições sólidas, tais como os governos fortes e estáveis, empenhados em proteger os direitos de propriedade individual.
O capital social fomenta a evolução e o desenvolvimento de instituições impulsionadoras do crescimento, que por sua vez, fomentam a acumulação contínua do capital social.
É possível que o mundo regresse a uma situação em que os rendimentos dos países ricos crescem cada vez mais, em relação aos países pobres, mas não os devemos surpreender com a descoberta de que o mundo continua a ser um lugar, onde é muito difícil enriquecer, e são raros os países que conseguem dar o salto.
Se algum novo modelo de desenvolvimento emergiu dos mercados emergentes, foi certamente um modelo, em que pequenas bolsas de economias em desenvolvimento melhoraram a sua capacidade social e tecnológica para competir na economia global do conhecimento científico.
Acontece porém, que o notável progresso tecnológico da era digital é refractado pelas instituições industriais, de modo que não permitem ver quem está a causar o quê.
Não há dúvida que as novas tecnologias têm o potencial necessário para evolucionar a sociedade e a economia, e estão a surgir empresas que prometem levar a sociedade por este caminho.
Contudo, os danos colaterais, sob a forma de empresas falidas e trabalhadores despedidos, acumulam-se.
Os trabalhadores que necessitam de dinheiro para viver, procuram trabalho e aceitam cortes salariais quando não têm outro remédio. Os salários mais baixos são um incentivo para as empresas usarem os trabalhadores em tarefas menos produtivas.
O afluxo de pessoas a empregos de baixa produtividade tem o feito de fazer com que a sociedade pareça mais pobre do que é.
E os baixos salários têm também o efeito de tornar a sociedade mais pobre do que devia ser.
As alterações tecnológicas, são difíceis de prever.
 Mas à medida que aumentam as capacidades tecnológicas, reduz-se o conjunto de tarefas, pelo que os humanos têm algumas vantagens.
Como as sociedades produtivas, são o lugar de redistribuição, tanto os trabalhadores produtivos, como os improdutivos, têm interesse em definir o melhor possível as suas fronteiras.
 É a realidade de redistribuição que leva a sociedade ao efeito de escassez na repartição dos ganhos no seio da sociedade, em detrimento do efeito da própria sociedade, na produtividade e no bem-estar.
A redistribuição, é o único meio de conseguir que os rendimentos dos trabalhadores menos produtivos, acompanhem o crescimento da produção média por pessoa.
O objetivo do progresso tecnológico é melhorar as vidas humana, devido à ampliação do mercado e não a qualquer manifestação de empatia humanitária.
O desafio é criar um interesse social alargado numa redistribuição abrangente.
 Como?
Compartilhar a riqueza criada pelas instituições sociais produtivas que evoluíram e o conhecimento que se gerou, cultivando a empatia humana e fazer tudo quanto esteja ao seu alcance, a fim de tornar a riqueza dos humanos extensiva a toda a gente.